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Geração Z lidera resistência à inteligência artificial

em Tecnologia
terça-feira, 05 de maio de 2026

Há anos, líderes do setor de tecnologia vem alertando que a inteligência artificial traria uma revolução sem precedentes, eliminando milhares de empregos. Isso já está acontecendo, e para quem consegue escapar das demissões em massa, a mensagem dos executivos é clara: adotar a tecnologia deixou de ser opção e passou a ser condição para manter o emprego.

Vivaldo José Breternitz (*)

Esse cenário faz crescer a rejeição à IA, que já invade quase todos os aspectos da vida cotidiana, rejeição que tem como causas desde as incontáveis postagens irrelevantes em redes sociais até chatbots falhos que tentam substituir o atendimento humano.

Segundo o site The Verge, essa rejeição é especialmente visível entre a Geração Z, aqueles nascidos desde meados da década de 1990 até o início dos anos 2010. Trata-se de uma geração que enfrenta um mercado de trabalho difícil após perder parte de sua juventude em função da pandemia de COVID-19.

Tradicionalmente, os jovens abraçam inovações. Mas, para a Geração Z, uma tecnologia concebida para substituir o ser humano é recebida com desconfiança e alimenta uma rebelião crescente.

As preocupações não são infundadas. Os efeitos colaterais da febre de IA generativa tornam-se cada vez mais evidentes: enormes data centers degradam o meio ambiente em escala alarmante, enquanto o uso indiscriminado de chatbots ameaça habilidades cognitivas e de pensamento crítico e, em alguns casos, leva a graves problemas psicológicos.

Pesquisas recentes reforçam o pessimismo. Um levantamento da Gallup mostrou que apenas 18% dos jovens da Geração Z se dizem “esperançosos” em relação à IA, uma queda de nove pontos em comparação com os números de 2025. A entrada da tecnologia no meio acadêmico é um dos pontos mais sensíveis. “A IA não pode coexistir com a educação, só pode degradá-la”, escreveu o jornal estudantil da Universidade da Pensilvânia em editorial publicado em março.

Parte da desilusão vem da capacidade dos jovens de identificar falhas da tecnologia, como as chamadas “alucinações” e o risco do chamado “cognitive offloading”, quando tarefas mentais passam a ser transferidas para máquinas, podendo, em casos extremos, levar ao chamado “brain rot”, uma expressão popularizada recentemente para descrever a deterioração mental causada pelo consumo excessivo de conteúdo digital irrelevante, especialmente em redes sociais; em 2024, o termo foi eleito “palavra do ano” pelo Dicionário Oxford, refletindo a preocupação crescente com os impactos da vida online.

A Workplace Intelligence é uma empresa de pesquisa focada no futuro do trabalho, enquanto a Writer é uma plataforma de IA generativa voltada para uso corporativo. Juntas, elas têm conduzido estudos sobre a adoção de IA em empresas, revelando tensões entre executivos e funcionários. Pesquisas realizadas pelas mesmas mostram um cenário extremo em que muitos jovens chegam a sabotar iniciativas de IA em suas empresas.

De acordo essas pesquisas 44% dos trabalhadores da Geração Z afirmaram estar “sabotando a estratégia de IA da empresa de alguma forma”, seja inserindo informações confidenciais ou falsas em chatbots ou até mesmo se recusando a usar ferramentas de IA.

Novas tecnologias podem trazer novas soluções, mas podem também criar problemas…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].