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A confiança como ativo: por que a comunicação dita o futuro da mineração na nova economia

em Artigos
segunda-feira, 27 de abril de 2026

Rodrigo Amaral (*)

A mineração vive um momento decisivo e, de certa forma, paradoxal. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda global por minerais críticos, como cobre, lítio, níquel e cobalto, precisará crescer até seis vezes até 2040 para que o mundo atinja as metas de emissões líquidas zero. O planeta precisa da mineração para viabilizar a transição energética. Contudo, a legitimidade do setor passou a depender, cada vez mais, da qualidade de sua gestão ESG e da clareza com que suas ações são apresentadas à sociedade.

A sustentabilidade há anos deixou de ser um capítulo isolado em relatórios corporativos anuais. Hoje, ela é o fio condutor que atravessa as reuniões de alto escalão e domina as decisões. Além de fazer parte central da lógica de negócios, a agenda sustentável baliza a escolha de tecnologias limpas, a modelagem de riscos climáticos, o reaproveitamento de água e o descomissionamento seguro de barragens. A técnica evoluiu e os padrões se elevaram.

Diante desse cenário de alta complexidade técnica, surge um desafio que ainda segue subestimado: decisões técnicas só constroem confiança quando são efetivamente compreendidas. É nesse exato contexto que a comunicação deixa de ser um braço acessório de apoio e passa a ser uma ferramenta estrutural de mitigação de riscos e atração de investimentos.

A mineração transforma territórios – essa é uma característica inerente à atividade. O debate relevante, portanto, não está em negar impactos, mas em demonstrar, de forma irrefutável, como eles são antecipados, mitigados, monitorados e geridos ao longo de todo o ciclo de vida de um projeto. Neste cenário, fazer comunicação não significa criar narrativas inspiradoras. Significa organizar a complexidade, traduzir critérios técnicos de engenharia, explicar metodologias de fechamento de mina, dar visibilidade a indicadores sociais e reconhecer desafios com transparência.

O mercado e as comunidades já aprenderam que dados isolados em planilhas não geram confiança automática. O que gera confiança é a consistência da narrativa, o contexto e a capacidade da empresa de demonstrar evolução com base em métricas claras, comparáveis e auditáveis.

Nos próximos anos, a mineração terá um papel central na nova economia verde, na expansão da infraestrutura e no desenvolvimento socioeconômico. Para cumprir esse papel com excelência, precisará operar com maturidade institucional. Técnica de engenharia e comunicação não são dimensões separadas; são engrenagens complementares.

A mineração sustentável não será definida pelo discurso. Ela será definida pela qualidade inegociável da sua gestão e pela capacidade de torná-la perfeitamente compreensível para investidores, comunidades, órgãos reguladores e imprensa. No fim do dia, a reputação e a licença social para operar não nascem do que se declara. Nascem do que se demonstra, com método, consistência e clareza.

(*) Head de Marketing e Comunicação da Arcadis Latam.

Mineração no Brasil tem cenário favorável de oportunidades de negócios – Jornal Empresas & Negócios