
Com o tempo de 50 minutos e 26 segundos, um robô humanoide superou o recorde mundial masculino da meia maratona, que é de 57:20 e pertence ao atleta ugandense Jacob Kiplimo. A corrida aconteceu em Pequim no sábado, 19 de abril.
Vivaldo José Breternitz (*)
O robô, chamado Lightning, foi desenvolvido pela Honor, empresa chinesa fabricante de smartphones e outros dispositivos eletrônicos, que ingressou no setor no ano passado.
Segundo os organizadores, a competição deste ano atraiu 105 competidores, um salto significativo em relação às 21 inscrições da edição de 2025. As regras permitem que diferentes equipes utilizem o mesmo modelo de hardware, competindo através de algoritmos de controle distintos.
O pódio deste ano foi dominado por três modelos Lightning operados por equipes diferentes – esses robôs têm 159 centímetros de altura e pesam cerca de 45 kg.
Alguns incidentes aconteceram: um robô colidiu com um veículo estacionado, mas conseguiu se estabilizar e continuar. Outro competidor, o modelo H1 da Unitree caiu próximo à linha de chegada e precisou ser retirado da pista; um dos modelos Lightning atingiu uma barreira após concluir a prova.
Os robôs correram ao lado de cerca de 12 mil humanos, quase todos amadores, em um percurso de 21 km – havia pistas separadas para humanos e robôs. Pela primeira vez, os humanoides foram divididos em duas categorias, os controlados por operadores humanos e os autônomos, quase 40% dos participantes, controlados por inteligência artificial própria – os três primeiros colocados eram dessa categoria.
Além do espetáculo, a prova serve como campo de testes para baterias, articulações e sistemas de motores – “A corrida de longa distância ajuda a verificar a resistência dos motores em movimentos cíclicos repetidos, uma qualidade essencial para o uso industrial”, afirmou Liu Xiangquan, professor de robótica na Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Pequim.
A China atualmente domina o setor, tendo fechado 2025 com cerca de 90% do mercado global de robôs humanoides, de acordo com a consultoria Counterpoint; naquele ano, o país fabricou cerca de 15.000 desses robôs, contra 1.500 do resto do mundo.
Também no sábado, a capital chinesa sediou o Robot Warrior Challenge, evento focado em obstáculos complexos como pontes estreitas e saltos. O vencedor foi o modelo Tien Kung 3.0, desenvolvido pela X-Humanoid.
É realmente impressionante a velocidade com que essa tecnologia vem crescendo, especialmente na China, cujo governo classificou o desenvolvimento de robôs humanoides como um pilar estratégico para o crescimento econômico nacional.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Será que os robôs humanoides tem futuro? – Jornal Empresas & Negócios




