
Planejamento de risco disciplina financeira e critérios na escolha de parceiros reduzem perdas e fortalecem a governança
O Brasil encerrou 2024 com 73,5 milhões de consumidores inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa Experian divulgado em janeiro de 2025. No mesmo período, a taxa básica de juros permaneceu em patamar elevado, após atingir 13,75% ao ano no ciclo recente de aperto monetário, conforme dados do Banco Central.
Já o Sebrae aponta, em seu estudo mais recente sobre sobrevivência de empresas, que falhas de gestão e ausência de planejamento financeiro estão entre os principais fatores de fechamento de pequenos negócios nos primeiros anos de atividade.
Para Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano e especialista em educação financeira, esse conjunto de indicadores reforça uma distinção central. “Coragem não é agir no impulso. É assumir riscos calculados, entendendo impacto, prazo e responsabilidade sobre cada decisão”, afirma.
Na prática, segundo ele, muitos empresários confundem velocidade com estratégia. O faturamento cresce, novas oportunidades surgem, mas a estrutura financeira não acompanha o ritmo das decisões. “Muita gente associa ousadia a crescimento rápido. Só que crescimento sem análise de risco vira vulnerabilidade. Empresa precisa de método, não de impulso”, diz.
O reflexo aparece no caixa. Assumir crédito caro para expandir operação, investir sem projeção de fluxo ou contratar serviços sem avaliar contrato e responsabilidades pode comprometer margem e reputação. “Risco faz parte do ambiente empresarial. O problema é quando ele não é mensurado. A decisão responsável começa antes da assinatura”, declara.
Cinco decisões que reduzem prejuízos e fortalecem a governança empresarial – Antes de qualquer movimento relevante, é preciso estruturar critérios objetivos. A seguir, o especialista destaca cinco pontos que ajudam empresas e profissionais a agir com responsabilidade e previsibilidade.
• Planejamento de risco antes da expansão – Projetar fluxo de caixa, simular cenários adversos e definir limite de endividamento reduzem a exposição a crises. Ao antecipar impactos, o gestor preserva capital de giro e mantém capacidade de reação.
• Separação entre finanças pessoais e empresariais – Misturar contas distorce resultados e dificulta a análise real do desempenho. Estrutura contábil organizada permite decisões baseadas em números concretos e evita descapitalização silenciosa.
• Formação de reserva estratégica – Assim como famílias precisam de fundo de emergência, empresas devem manter capital de giro compatível com seus custos fixos. Essa reserva reduz a dependência de crédito emergencial em períodos de instabilidade.
• Critério na contratação de consultorias e serviços financeiros – Antes de fechar contrato, é essencial avaliar histórico, certificações, modelo de remuneração e clareza das responsabilidades assumidas. “Não basta prometer retorno. É preciso entender risco, prazo e custo da decisão”, orienta.
• Monitoramento contínuo de indicadores – Decidir não encerra o processo. Acompanhar margem, endividamento, inadimplência e metas operacionais permite ajustes rápidos e evita que pequenos desvios se tornem problemas estruturais.
Além da proteção financeira, a postura estratégica fortalece a governança e melhora a relação com sócios, investidores e equipes. Empresas que estruturam seus processos decisórios transmitem previsibilidade e reduzem conflitos internos. “Coragem empresarial é saber dizer não quando os números não sustentam a ideia. Adiar um projeto pode ser mais estratégico do que insistir nele”, afirma.
O ponto de partida, segundo o especialista, está na revisão do orçamento, na leitura detalhada de contratos vigentes e no mapeamento de riscos operacionais e financeiros. Em seguida, recomenda-se estabelecer metas realistas e indicadores de acompanhamento. “Responsabilidade é entender que cada escolha gera consequência. Quem decide com método assume o controle da própria trajetória”, conclui.



