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Reforma Tributária no varejo: maior inimigo não será o imposto, mas o produto mal cadastrado

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Especialista mostra impacto das mudanças para setor e orienta como se adaptar

O varejo brasileiro aprendeu a sobreviver em meio a um dos sistemas tributários mais complexos do mundo. Alíquotas sobrepostas, legislações estaduais conflitantes, exceções municipais e uma infinidade de códigos fiscais transformaram o simples ato de vender uma camiseta, por exemplo, em um exercício de engenharia de dados.

E, pela primeira vez em décadas, esse sistema de consumo começa a ser redesenhado com a nova Reforma Tributária, uma mudança que chega direto ao balcão, ao estoque, à nota fiscal e ao caixa. A promessa é de mais transparência, porém com uma dependência muito maior de tecnologia.

Para lojas de moda, calçados, acessórios e comércio em geral, a reforma muda como cada produto será cadastrado, tributado, vendido e registrado no fisco. A afirmação é de Chrystian Scanferla, Head de Negócios da IRRAH Tech, empresa que desenvolve IA aplicada ao atendimento, automação de processos e digitalização de pequenas e médias empresas, presente em mais de 70 países.

“Essa é uma mudança estrutural, no alicerce sobre o qual o varejo brasileiro sempre funcionou. Quem não estiver preparado corre o risco de vender, não conseguir emitir a nota e ver a operação simplesmente travar.”

Na prática, a reforma substitui cinco tributos que hoje compõem o preço de praticamente tudo no varejo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Em seu lugar, passam a ser implementados de forma gradual dois impostos sobre valor agregado: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Juntos, esses tributos constituem a base do IVA brasileiro (Imposto sobre Valor Agregado), cuja implementação plena está prevista para 2033.

“O Brasil passa a adotar um modelo próximo ao que já funciona na Europa e em economias avançadas, onde o imposto incide sobre o valor que cada empresa agrega ao produto ao longo da cadeia. Isso muda o jogo para o varejo”, destaca Scanferla.

Ainda segundo o Head, “não existirá mais aquele emaranhado de nomenclaturas de tributos que ninguém entende direito, o que facilitará a apuração e compensação. Porém, de outro lado, cada venda precisará estar perfeitamente classificada e registrada, porque o sistema passa a validar tudo em tempo real”.

Ele explica que, no modelo antigo, o varejo trabalhava com CST (Código de Situação Tributária). Agora, surge uma classificação nacional padronizada, que define como IBS e CBS incidem sobre cada item comercializado.

Isso inaugura um novo tipo de risco operacional no varejo: o risco do dado incorreto. “Em um sistema tributário altamente automatizado, integrado e auditável, erros cadastrais podem ter impacto direto sobre a operação e o caixa das empresas”.

Na prática, o maior desafio do varejo em 2026 não será apenas a alíquota do imposto, mas a qualidade das informações que alimentam os sistemas fiscais. Um cadastro mal estruturado pode gerar tributação indevida, bloqueios fiscais e interrupções na cadeia de vendas.

“A reforma correlaciona saída e entrada, transforma dados em lucro, custo ou prejuízo, porque tudo passa a incidir automaticamente em impostos. O lançamento de um produto, por exemplo, depende de um cadastro absolutamente correto. Um único código errado pode bloquear a emissão da nota fiscal, paralisar a venda e interromper o fluxo de caixa”, afirma o executivo.

Segundo Scanferla, o sistema KIGI ERP, que atende o varejo, foi redesenhado para absorver essa nova lógica fiscal. “A reforma tributária não é um problema fiscal, é um desafio de gestão. Ela expõe quem realmente controla seus dados, seu estoque e sua margem, e quem opera no escuro. Ela muda o jeito como o lojista acompanha sua margem. E quem tiver tecnologia para fazer isso de forma inteligente ganha velocidade.”

O cronograma da reforma não atinge todo mundo ao mesmo tempo. A partir de janeiro, as empresas enquadradas nos regimes tributários do Lucro Real e Lucro Presumido, já começam a emitir notas fiscais dentro do novo modelo de IBS e CBS. Será um ano de testes, mas os documentos já precisam estar certos.

Já para as no Simples Nacional, a obrigatoriedade só chega em 2027.
Mas, segundo Scanferla, isso não significa que dá para ignorar 2026. Na rotina da loja, três pontos passam a ser críticos:

  1. Cadastro de produtos
    Cada item precisa estar corretamente classificado. Se errar, não vende.
  2. Emissão de nota fiscal
    A nota passa a validar IBS e CBS em tempo real. Sistemas antigos não acompanham isso.
  3. Margem real de lucro
    Com o IVA, o imposto vira parte da estrutura de preço. Quem não acompanha a margem em tempo real começa a vender sem saber se está ganhando ou perdendo dinheiro.

“Assim, o KIGI ERP passa a atuar exatamente nesses três pontos: estoque, nota e rentabilidade, absorvendo os novos códigos tributários, validando notas em tempo real e transformando dados fiscais em indicadores de rentabilidade”, explica o profissional da IRRAH Tech.