
As vendas decepcionantes do headset Vision Pro teriam forçado a Apple a cortar a produção do dispositivo, com o qual a empresa esperava inaugurar uma nova era da chamada “computação espacial”.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo dados divulgados pelo Financial Times, o investimento em marketing para o produto caiu mais de 95% no ano passado; enquanto iPhones, iPads e MacBooks seguem vendendo milhões de unidades a cada trimestre, analistas apontam que o Vision Pro, com preço mínimo ao redor de US$ 3.600, tem baixa procura.
A Apple não divulga números, mas a International Data Corporation (IDC) estima que apenas 45 mil unidades teriam sido comercializadas no último trimestre de 2025. A IDC acrescenta que a chinesa Luxshare, que fabrica o dispositivo, interrompeu a produção no final de 2025, e que a Apple mantém vendas diretas em apenas 13 países. O aparente fracasso do Vision Pro lembra o destino do Google Glass em 2013, quando seus usuários eram chamados “glassholes”, um termo chulo.
Apesar dos tropeços, empresas de tecnologia continuam apostando em óculos inteligentes. A Apple talvez lance uma versão mais barata do Vision Pro ainda em 2025, mas seu foco agora se desloca para dispositivos wearables habilitados para inteligência artificial.
Lançado em 2023, o Vision Pro foi apresentado como um marco tecnológico. Na ocasião, o CEO Tim Cook afirmou: “Seu entorno se torna uma tela infinita… O Vision Pro mistura conteúdo digital ao espaço ao nosso redor. Ele nos apresentará à computação espacial”.
Entretanto, consumidores queixam-se do preço elevado e críticos reclamaram do peso, do desconforto e da falta de utilidade prática. Houve até preocupação quando usuários foram flagrados dirigindo com o headset. Mesmo entusiastas reconhecem que o aparelho tem apelo restrito.
Outro fator é a escassez de aplicativos: são cerca de 3.000 disponíveis para o Vision Pro, número considerado modesto em comparação com a explosão de apps após o lançamento do iPhone em 2007.
Para o analista Erik Woodring, do Morgan Stanley, “o custo, o formato e a ausência de aplicativos nativos para o VisionOS explicam por que o Vision Pro nunca alcançou vendas em massa”.
Em um “portinglês” capenga, parece que o Vision Pro está flopando…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


