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Foguete de Musk quase derruba aviões de passageiros

em Tecnologia
sexta-feira, 09 de janeiro de 2026

Em meados de janeiro de 2025, a SpaceX admitiu que um protótipo de sua gigantesca nave Starship havia “passado por uma rápida desmontagem não programada durante a ascensão”; foi uma forma irônica de reconhecer que o foguete explodiu em pleno voo.

Vivaldo José Breternitz (*)

Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram destroços incandescentes cruzando o céu noturno sobre o arquipélago Turks e Caicos, no Caribe, em um espetáculo que lembrava cenas de ficção científica. Moradores das ilhas encontraram pedaços de borracha queimada e fragmentos do foguete espalhados pelas praias.

“O sucesso é incerto, mas o entretenimento é garantido!”, escreveu na época, sempre com ironia, Elon Musk, o chefão da SpaceX.

No final de 2025, documentos obtidos pelo Wall Street Journal junto à Administração Federal de Aviação (FAA) revelaram que três aeronaves, um voo da JetBlue, outro da Iberia e um jato particular, transportando ao todo 450 pessoas, estiveram em perigo muito maior do que SpaceX e autoridades admitiram na época.

Segundo os relatórios, controladores de tráfego aéreo tiveram de agir rapidamente para afastar os aviões da área de destroços, o que aumentou muito seu ritmo de trabalho e configurou um “risco extremo de segurança”. Um deles relatou: “Houve um lançamento de foguete, aparentemente ele explodiu e há destroços entre nós e Miami, cobrindo praticamente todo o espaço aéreo. Preciso manter todas as aeronaves longe dessa área”.

Os documentos indicam que a SpaceX não acionou a linha direta oficial da FAA para informar a explosão, como exigem os protocolos. As zonas de exclusão aérea foram ativadas quatro minutos após a perda de contato com o veículo, mas a confirmação oficial só veio 15 minutos depois.

Em resposta, a empresa negou que tenha havido risco, em comunicado publicado na rede social X, de Musk. “Mais uma história enganosa”, escreveu Musk, acusando jornalistas de terem recebido informações “incompletas e tendenciosas de detratores”. A SpaceX afirmou estar comprometida com o uso responsável do espaço aéreo e com a segurança pública.

Enquanto isso, a SpaceX segue com o programa Starship, que já resultou em mais de uma dezena de explosões. O teste mais recente, realizado em 13 de outubro último, terminou com o foguete caindo sem danos no Oceano Índico. Uma nova versão, ainda mais potente, deve ser lançada em breve.

A prepotência de Elon Musk, não só no caso do programa Starship, mas também com seus Teslas, pode acabar gerando grandes tragédias.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].