
Se ainda havia dúvidas sobre o papel dos centros de dados na economia global, um novo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) deve dissipá-las.
Vivaldo José Breternitz (*)
Em 2025, o mundo gastará cerca de US$ 580 bilhões na construção e operação desses centros, valor US$ 40 bilhões superior ao destinado a novos suprimentos de petróleo.
O consumo de eletricidade por centros de dados voltados à inteligência artificial deve crescer cinco vezes até o fim da década, dobrando o total atualmente utilizado por todos os centros de dados. Os centros convencionais também terão aumento de demanda, embora em ritmo menos acelerado.
Segundo a IEA, metade desse crescimento ocorrerá nos Estados Unidos, enquanto Europa e China responderão pela maior parte do restante. A maioria dos novos centros deve ser instalada em cidades com mais de um milhão de habitantes; muitos estão sendo erguidos próximos a centros já existentes.
Esse rápido avanço, especialmente em áreas urbanas, traz desafios, especialmente os ligados à área de suprimento de eletricidade; em Dublin, Irlanda, por exemplo, as autoridades negaram autorização para que o Google instalasse ali um novo centro, bem como já não aceitam pedidos para instalação de novas estruturas desse tipo.
Além da carência de energia, há problemas também nas redes de distribuição, a maior parte antiga e não adequada às grandes cargas exigidas pelos grandes centros de dados. A cadeia de suprimentos de materiais para instalações elétricas também apresenta problemas, com atrasos na entrega de cabos, transformadores etc.
Novas tecnologias e até mesmo o uso de energia nuclear vem consideradas para resolver os problemas ligados à carência de energia, mas somente em alguns anos essas soluções estarão disponíveis em escala comercial.
Há também problemas de ordem ambiental: a expectativa da IEA é que, até 2035, a maior parte da energia consumida pelos centros de dados venha de fontes renováveis; a energia solar, cujo custo caiu significativamente nos últimos anos, parecer ser uma alternativa bastante interessante.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


