
Fundada em 1968 no Vale do Silício, a Intel é conhecida principalmente por ter sido a principal fabricante de chips e processadores utilizados em computadores pessoais, servidores e dispositivos de alto desempenho.
Vivaldo José Breternitz (*)
Durante muitos anos, foi um exemplo de sucesso nessa área, até que, ao que dizem por ter demorado a embarcar na onda da inteligência artificial, entrou em um processo de franca decadência – o mercado esperava que sua quebra acontecesse a qualquer momento.
Em março passado, numa tentativa de salvar a empresa, Lip-Bu Tan assumiu o cargo de CEO da Intel; em sua primeira fala anunciou demissões em massa, como forma de “adequar” a empresa às realidades do mercado.
Agora, a dimensão desses cortes começa a ficar mais clara: a Intel demitiu cerca de 20,5 mil funcionários em apenas três meses. Somando-se às 15 mil vagas eliminadas pelos antecessores de Lip-Bu Tan, conclui-se que a empresa reduziu seu quadro em 35,5 mil pessoas em menos de dois anos.
Embora Tan tenha inicialmente prometido “achatar” a hierarquia e reduzir o número de gerentes de nível médio, acabou demitindo milhares de engenheiros e técnicos – apenas 8% dos demitidos tinham cargos de gestão, contrariando a impressão inicial de que as mudanças atingiriam principalmente a área administrativa.
Relatórios financeiros recentes, revelam uma redução de mais de US$ 800 milhões no orçamento de pesquisa e desenvolvimento em relação ao ano anterior, indicando que foram encerrados diversos projetos em diferentes estágios de desenvolvimento.
Falando acerca dos resultados do terceiro trimestre deste ano, a diretoria voltou a dizer que a Intel ainda está em processo de “redimensionamento operacional”, com foco em reduzir custos, concentrar recursos em projetos de alto retorno, manter disciplina rigorosa no uso de recursos financeiros e buscar eficiência em todas as áreas para manter-se enxuta e competitiva.
Recentemente, noticiou-se que a Nvidia investiu US$ 5 bilhões em ações da Intel e anunciando parcerias para o desenvolvimento de produtos. Este investimento é mais um voto de confiança na Intel, que em agosto passado recebeu US$ 2 bilhões do SoftBank, principal acionista da Arm, também em ações. Menos de uma semana depois, foi anunciado que o governo dos EUA adquiriu uma participação de US$ 8,9 bilhões na Intel, em outra operação com ações.
Somados, esses acordos representam US$ 15,9 bilhões em investimentos em ações, um sinal de que a empresa parece estar deixando as dificuldades para trás, mas em passos ainda lentos.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




