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Mercado Livre de Energia cresce 26% no 1º semestre e avança no país

em Manchete Principal
sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Com migração de 13,8 mil novos consumidores, movimento é destaque no Brasil em 2025

O Mercado Livre de Energia cresceu 26% no primeiro semestre de 2025 no Brasil, com mais de 13 mil novos consumidores vindo do mercado regulado, essa migração está sendo impulsionada principalmente por empresas de menor porte e pelos setores de comércio e serviços, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Além disso, o movimento indica uma expansão em diversas regiões do país, mostrando que o mercado está se consolidando e se tornando mais acessível para variados tipos de clientes. Isso significa a consolidação do modelo como uma opção cada vez mais acessível e competitiva, oferecendo perspectivas de ampliação para diversos setores nos próximos anos.

Crescimento no primeiro semestre

Segundo levantamento da CCEE, o consumo no mercado livre entre janeiro e junho de 2025 alcançou 29.565 MW médios, o que já está correspondendo por 41,3% da demanda nacional de energia elétrica. No total, o Brasil superou a marca de 77 mil unidades consumidoras no ACL e, entre as 77.156 unidades consumidoras livres, 30.849 são varejistas, com demanda inferior a 500 kW.

ACL é a sigla para Ambiente de Contratação Livre, que é o segmento do mercado livre de energia elétrica. Essa área é onde os consumidores (empresas) podem negociar o fornecimento de energia diretamente com geradoras ou comercializadoras.

Adesão de setores e estados

Entre os estados, São Paulo liderou com cerca de 4,1 mil migrações e o Paraná registrou o crescimento percentual mais rápido, com 1,6 mil novas adesões e aumento de 135%. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também tiveram destaque, além do forte avanço em estados das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Desde 2024, o mercado livre de energia já possui participação em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

A CCEE destaca que esse avanço não se limita mais apenas aos grandes centros industriais, como os estados da região Sudeste. Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Rondônia também apresentaram crescimentos relevantes, provando que a abertura do mercado livre está em andamento em todas as regiões do país.

O setor de serviços liderou as adesões, com mais de 4,4 mil novos consumidores. Logo atrás, aparecem o comércio e segmentos como alimentos, manufatura, saneamento e metalurgia. Entre os perfis de clientes que mais migram, estão: padarias, farmácias, hotéis e cafeterias, consolidando de vez a presença das PMEs no mercado livre de energia.

Mercado Livre de Energia e empresas

O Mercado Livre de Energia permite que empresas negociem o fornecimento de energia diretamente com as companhias, possibilitando contratos mais flexíveis e uma possível economia de até 35% na conta mensal. Desta forma, as empresas definem preço, prazo, quantidade e tipo de energia, diferente do mercado regulado onde a compra é obrigatória da distribuidora local com tarifas fixas definidas.

As empresas que são consumidoras de alta tensão ou superior a 2,3kW, já podem escolher de qual fornecedor desejam comprar energia. A migração é para instituições com conexão em média ou alta tensão (Grupo A), e mesmo PMEs podem se beneficiar com essa flexibilização das regras, possibilitando redução de custos e alinhamento do consumo a fontes renováveis.

A abertura do Mercado Livre de Energia para novos consumidores do Grupo A está prevista na Portaria 50/2022 do Ministério de Minas e Energia (MME). Até o momento, apenas as empresas que pagavam contas de energia acima de R$ 150 mil poderiam migrar para esse mercado.

De acordo com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), ao todo existem cerca de 160 mil empresas, entre pequenas, médias e grandes, que podem fazer a transferência da alta tensão para o mercado livre. Neste ano, a expectativa é que 20 mil novos consumidores façam a migração.

Oportunidades futuras

A tendência para os próximos meses do ano é que o crescimento desse movimento, acompanhado por avanços tecnológicos e novas regras, continue cada vez mais rápido, isso se deve à competição acelerada entre os fornecedores e à busca das empresas por maior autonomia de controle na gestão de seus custos de energia.

A ABRACEEL (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia) destaca a importância da abertura total do mercado, prevista para a partir de 2027, possibilitando mais competitividade e flexibilidade a todos os consumidores. A entrada de pequenas empresas e consumidores rurais mostra que o mercado livre de energia deixou de ser um espaço limitado somente a grandes indústrias, e se tornou uma opção democrática em todo o país.