
Fundada em 1845, a Deloitte é uma das maiores empresas globais de prestação de serviços profissionais, oferecendo consultoria, auditoria, assessoria financeira, consultoria tributária e serviços relacionados à gestão de riscos e tecnologia.
Vivaldo José Breternitz (*)
A Deloitte atende a empresas dos mais variados setores, sendo considerada uma das “Big Four”- as quatro maiores firmas de auditoria e consultoria do mundo.
Com toda essa tradição, acaba de cometer um erro crasso: entregou a um de seus clientes, o governo australiano, um relatório produzido por inteligência artificial repleto de alucinações – informações falsas.
O Australian Financial Review, um importante veículo de mídia australiano, revelou o caso, dizendo que o relatório, intitulado “Targeted Compliance Framework Assurance Review”, custou aos contribuintes australianos cerca de 440 mil dólares australianos (aproximadamente R$ 1,5 milhão).
Tão logo o relatório foi divulgado, o professor da Universidade de Sydney, Chris Rudge, observou que o relatório fazia referência a artigos e outras publicações que não existiam, inclusive alguns que o relatório atribuía à professora da faculdade de direito daquela universidade Lisa Burton Crawford.
A professora disse que “gostaria de uma explicação da Deloitte sobre como as citações foram geradas”, mas ao invés disso a Deloitte simplesmente entregou uma versão atualizada do relatório original, dizendo que a mesma continha “um pequeno número de correções em referências e notas de rodapé” e também que IA generativa fora utilizada para elaborar parte do trabalho. A nova versão também removeu uma citação falsa referente a uma decisão judicial inexistente.
A Deloitte afirmou que reembolsará parte do valor recebido pela elaboração do relatório, o que, convenhamos, não é melhor maneira de encerrar um caso como esse; o governo e os contribuintes australianos certamente merecem também explicações detalhadas acerca do assunto e informações acerca das providências tomadas, em especial, punição dos responsáveis, por algo que pode ser classificado como fraude.
O caso deve servir de alerta a todos aqueles que de alguma forma utilizam inteligência artificial.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



