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Para que as pessoas estão usando o ChatGPT?

em Tecnologia
quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Modelos de linguagem de grande porte ainda são, em grande parte, uma “caixa-preta”, tanto no que diz respeito ao seu funcionamento, ao que gera suas respostas, quanto em relação a quem os utiliza e de que forma.

Vivaldo José Breternitz (*)

Para tentar lançar luz sobre esse cenário, a OpenAI, em parceria com o National Bureau of Economic Research (NBER), conduziu um estudo para entender melhor o que seus usuários estão fazendo com o ChatGPT. O levantamento revelou um volume expressivo de uso pessoal e apontou para o fechamento da “lacuna de gênero” entre os usuários mais frequentes.

Os resultados do trabalho foram publicados em um artigo do NBER, mostrando que cerca de 80% do uso do ChatGPT se concentra em três categorias: “orientação prática”, “busca de informações” e “escrita”. A primeira, a mais comum, inclui atividades como tutoria e ensino, conselhos práticos sobre diferentes temas e ideação criativa. A busca de informações aparece como substituto da pesquisa tradicional, enquanto a escrita abrange desde a produção automática de e-mails e documentos até tradução e revisão de textos.

Entre os usos profissionais, a escrita foi a categoria mais relevante, representando, em junho de 2025, 40% das interações. Já a programação, ao contrário da percepção comum, respondeu por apenas 4,2% dessas interações. O levantamento também mostrou queda no uso corporativo: em junho de 2024, 47% das interações eram voltadas ao trabalho, proporção que recuou para 27% em 2025. O movimento coincide com a dificuldade de muitas empresas em extrair retorno prático de investimentos em inteligência artificial.

No uso pessoal, o estudo identificou que apenas uma pequena parcela das mensagens buscava companhia virtual ou apoio emocional: 2% dos diálogos tinham tom terapêutico ou de amizade, e apenas 0,4% abordavam relações e reflexões íntimas.

Outros levantamentos, no entanto, sugerem que esse tipo de uso é bem mais comum. A organização Common Sense Media, por exemplo, estima que um em cada três adolescentes recorre a chatbots de IA para interação social, e outro estudo aponta que metade dos adultos já utilizou esse recurso como forma de apoio psicológico no último ano.

O perfil etário também chama atenção: 46% das mensagens vieram de usuários entre 18 e 25 anos, faixa que tende a empregar o ChatGPT mais para fins pessoais, enquanto o uso profissional cresce conforme a idade. Outro dado relevante é a redução do predomínio masculino: em 2022, cerca de 80% dos usuários tinham nomes tipicamente masculinos; em junho de 2025, esse percentual caiu para 48%.

Há, contudo, uma ressalva metodológica: a categorização das mensagens foi feita pela própria inteligência artificial. Para os mais céticos, esse detalhe pode colocar sobre os números apresentados.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e membro da Congregação da Faculdade de Medicina de Jundiaí – [email protected].