
A Tesla enfrenta um período de dificuldades na Europa, com queda nas vendas em todo o continente.
Vivaldo José Breternitz (*)
No Reino Unido, a situação é particularmente crítica: as vendas da empresa despencaram 60% no último mês. Diante desses números, a gigante dos veículos elétricos está fazendo uma oferta incrivelmente generosa aos britânicos, na tentativa de reverter o baixo desempenho.
Segundo o jornal britânico The Times, a Tesla cortou quase pela metade o custo mensal de aluguel de um de seus carros no país. A empresa de Elon Musk teria sido “forçada a oferecer descontos de até 40% para locadoras de veículos para escoar mais unidades”.
Anteriormente, o aluguel de um Tesla Model 3 podia custar ao cliente de 600 a 700 libras por mês. No entanto, com os descontos que a empresa está dando para as locadoras, que repassam a economia aos consumidores, um Model 3 agora pode ser alugado por cerca de 252 libras mensais, cerca de R$ 1.900.
A Tesla tem feito promoções com cada vez mais frequência para estimular o interesse por sua linha de carros. A medida mais notável foi a oferta de generosos descontos para impulsionar as vendas de seu utilitário Cybertruck, que vão bastante mal.
Em julho, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) divulgou dados que mostram que as vendas da Tesla na Europa caíram 33% no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, o próprio Elon Musk admitiu que a empresa passaria por tempos difíceis. De forma geral, as operações europeias da Tesla têm sofrido desde que Musk se envolveu na política.
A queda nas vendas não se restringe à Europa. Nos Estados Unidos, o desempenho também é fraco. Na Califórnia, que já foi um centro de popularidade da Tesla, as vendas vêm caindo há algum tempo. O relatório de resultados da Tesla do segundo trimestre deste ano trouxe mais más notícias, revelando que ela está faturando menos do que no ano anterior. Em junho, Musk demitiu seu chefe de vendas para a América do Norte e Europa, em meio à contínua piora dos números.
Não está claro o quanto a queda nas vendas da Tesla é impulsionada pela crescente concorrência de veículos elétricos de empresas chinesas ou pelo descontentamento de muitas pessoas com as atividades políticas de seu CEO.
O envolvimento de Musk com a administração Trump, no início deste ano, inspirou um movimento de protesto nos EUA, e seus comentários incessantes sobre os negócios da União Europeia o transformaram em uma figura detestada no continente.
Aqui no Brasil parece claro que a Tesla não será páreo para os fabricantes chineses.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].
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