
Ana Luisa Winckler (*)
Tem gente no trabalho que é tipo máquina de pinball: você fala algo, e lá vem a bolinha batendo de volta.
Uma mudança de rota? Plim!
Um feedback? Plim-plim!
Uma crítica construtiva? TILT!
Esse é o profissional reativo: não responde, reage. E reage no piloto automático. É a ciência que explica: quando a gente se sente ameaçado (mesmo que seja só por um “preciso falar com você depois”), a amígdala cerebral assume o volante. Resultado? O cérebro entra no modo “sobrevivência”: briga, foge ou paralisa. Enquanto isso, o córtex pré-frontal, aquele que ajuda a pensar e planejar, fica de férias não remuneradas.
O que isso significa na prática?
- Chefe anuncia uma meta nova: o reativo já responde “isso não vai dar certo”.
- Colega dá sugestão: ele rebate antes de ouvir até o final.
- Feedback: a pessoa se fecha, se defende, muda de assunto.
É o famoso: “mal terminei a frase e já virei vilão da novela das 9h”.
O olhar do líder
Liderar alguém reativo é como tentar conversar com o GPS quando ele está recalculando rota sem parar: irritante, mas você precisa manter a calma.
- Primeiro passo: não cair no jogo do espelho.
Se você reage igual, a reunião vira round de UFC corporativo. - Segundo passo: usar Comunicação Não Violenta (CNV).
Exemplo real: Em vez de “você sempre estraga a reunião”, tente “percebi que você levantou a voz quando falamos da meta, fiquei com a sensação de frustração, podemos pensar juntos em como organizar isso sem perder o clima?”.
Tradução: menos acusação, mais tradução de sentimentos e pedidos claros.
O olhar do liderado
Ser reativo não é crime, é humano. Mas no trabalho tem custo: você vira “a pessoa difícil”. E isso mina reputação, relacionamentos e até saúde.
A ciência mostra: viver sempre nesse modo alerta bagunça o cortisol, atrapalha sono, memória e até aumenta risco de burnout.
Então, se você percebe que anda reagindo por tudo, aqui vai um truque:
- Antes de responder, beba um gole d’água.
- Ou dê uma risada interna estilo meme do “cachorro respirando fundo”.
- Ganhe tempo para o seu pré-frontal voltar à cena.
Dicas práticas (sem frescura)
- Neutralize o incêndio
O reativo fala alto? Você responde baixo. É como colocar ventilador na fumaça: aos poucos o ar volta. - Confronte o padrão, não a pessoa
Em vez de “você é negativo”, diga: “percebi que toda vez que mudamos a prioridade você traz resistência. O que acontece com você nesse momento?”. - Crie micro-pausas
Se a reunião tá fervendo, proponha 30 segundos de silêncio. Parece TEDx de mindfulness, mas dá tempo do cérebro sair do modo “onça no mato” para o modo “resolver problemas”. - Conexão antes da correção
Ninguém baixa a guarda sendo atacado. Primeiro mostre que entendeu a dor, depois sugira o caminho. - Use humor como antídoto
Às vezes vale um: “Calma, não é guerra na Ucrânia, é só a planilha de vendas”. Humor quebra a reatividade sem humilhar.
Conclusão (com meme mental)
Profissional reativo é como aquele botão de caps lock ligado o tempo todo: tudo parece maior, mais urgente, mais dramático.
Liderar esse perfil é criar um ambiente onde a pessoa possa responder em vez de reagir.
Porque, no fim, ninguém aguenta trabalhar num fliperama humano.
Ou como diria aquele meme clássico:
Respira, mana. Não é o RH que vai te mandar embora, é só mais uma daily.
(*) Psicóloga, escritora e rebelde afetuosa do mundo corporativo — onde transforma silêncio em escuta e vulnerabilidade em potência. Com 25 anos de RH na bagagem, ela cria espaços onde até a meta sorri e o KPI pede um café.
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