Como gestores estão se adaptando ao desafio de conduzir equipes no modelo híbrido

em Carreira e Mercado de Trabalho
quinta-feira, 31 de julho de 2025

A transição para o modelo de trabalho híbrido alterou de forma definitiva o papel da liderança nas organizações. Com equipes distribuídas, rotinas mais flexíveis e novos padrões de comunicação, liderar passou a exigir não apenas soft skills aprimoradas, mas também um domínio cada vez maior de ferramentas tecnológicas. Nesse cenário, a inteligência artificial (IA) surge como um suporte estratégico para os gestores.

Um estudo pela FIA Business School aponta que a liderança digital eficaz depende de soluções tecnológicas para estimular colaboração, produtividade e troca contínua entre os membros das equipes híbridas. A pesquisa estruturou ainda um framework que organiza os diferentes tipos de trabalho híbrido e seus desafios de gestão, cruzando dois fatores: o ambiente físico (presencial ou virtual) e o nível de sincronicidade (atividades realizadas no mesmo horário ou de forma assíncrona).

O modelo resulta em quatro quadrantes:

  1. Trabalho síncrono em ambiente presencial
  2. Trabalho assíncrono em ambiente presencial
  3. Trabalho síncrono em ambiente virtual
  4. Trabalho assíncrono em ambiente virtual

Acredito que liderar em um cenário híbrido exige reconhecer essas diferenças e adaptar o estilo de gestão de acordo com o contexto de cada colaborador. É preciso dominar várias ferramentas e ter sensibilidade para oferecer feedbacks eficazes mesmo à distância.

Além da adaptação de linguagem e canais, destacamos que a IA vem ganhando espaço na liderança como um recurso para qualificar a tomada de decisão e personalizar o relacionamento com os times. As aplicações vão desde sistemas que priorizam tarefas e redistribuem cargas de trabalho com base em competências e prazos, até análises de sentimento que monitoram o engajamento e o bem-estar emocional da equipe a partir da comunicação interna.

Ferramentas de IA também têm sido usadas para recomendar trilhas personalizadas de desenvolvimento profissional, identificar lacunas de competências e facilitar a comunicação global por meio de tradução simultânea e bots integrados a plataformas de colaboração.

Essas soluções não substituem a atuação do líder, mas complementam sua visão. A IA pode mostrar onde há sinais de esgotamento, onde a produtividade caiu, e até indicar quem está sobrecarregado. Cabe ao gestor interpretar esses dados com empatia e agir.

Sendo assim, com o modelo híbrido se consolidando como padrão, nossa pesquisa ressalta que o futuro da liderança está na combinação entre inteligência emocional e inteligência artificial. O desafio é cultivar confiança, autonomia e aprendizagem contínua em ambientes cada vez mais complexos e dinâmicos. A IA é uma aliada, mas o fator humano continua sendo o diferencial.