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Software da Unicamp torna mais precisos os aplicativos de saúde em smartwatches

em Tecnologia
quarta-feira, 30 de julho de 2025

Cada vez mais os smartwatches – relógios de pulso com funções inteligentes similares às de um smartphone – estão ganhando funcionalidades avançadas para monitorar a saúde do usuário. Alguns modelos são capazes de informar dados como batimentos cardíacos, oxigenação do sangue, níveis de estresse, qualidade do sono e até mesmo sinais de arritmia ou quedas, atuando como monitores de bem-estar em tempo real. No entanto, atualmente essas informações não são facilmente acessíveis aos usuários, dificultando sua comparação com equipamentos médicos de referência, sendo apenas indicadores aproximados das condições de saúde da pessoa.

Contudo, uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC Unicamp) reduz consideravelmente a distância entre os dados de saúde apresentados por smartwatches e os que são aferidos por equipamentos médicos profissionais. Essa tecnologia, um software denominado Viva Sensing, aprimora a precisão da coleta de dados biométricos dos usuários desses relógios. Esses dados mais certeiros, quando enviados a aplicativos de saúde baseados em Inteligência Artificial (IA), podem oferecer ao usuário resultados comparáveis aos obtidos por equipamentos médicos de referência, como explica o professor do IC Unicamp, Anderson Rocha:

“O Viva Sensing aprimora a coleta de biossinais de uma pessoa. Em nossos testes, os dados captados pelos sensores de um smartwatch, como acelerômetro, giroscópio, termômetro e monitor de frequência cardíaca, comprovaram que podem permitir o desenvolvimento de soluções de IA com resultados que alcançam, em alguns casos, aos de equipamentos médicos padrão-ouro, aqueles considerados as melhores referências para diagnosticar e tratar parâmetros clínicos específicos”, explica o professor.

Rocha também é diretor do Recod.ai, um laboratório de IA vinculado ao IC Unicamp, com parcerias com vários institutos e faculdades da universidade. O Viva Sensing foi desenvolvido no âmbito do projeto Viva Bem, ramo do Recod.ai voltado a aplicações nas áreas de saúde e bem-estar, fruto de uma parceria de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) entre a Unicamp e a Samsung.

Também participante da criação do Viva Sensing, a empresa sul-coreana é cotitular deste programa de computador, que já foi licenciado, por exemplo, para a Universidade do Estado do Amazonas. Como órgão responsável na Unicamp, a Agência de Inovação Inova Unicamp conduziu a negociação e os processos para firmar o acordo de PD&I entre a Unicamp e a Samsung e participou da proteção da propriedade intelectual e do licenciamento da tecnologia.