Adhemar Silva (*)
A tecnologia tem sido um motor de transformação do ambiente de trabalho. O uso de recursos de Inteligência Artificial, como o Copilot e o ChatGPT, ferramentas que aceleram a produtividade e até a cultura de trabalho sem barreiras geográficas, têm impactado, de forma silenciosa, como as empresas entregam e entendem os seus resultados.
A primeira chave para aumentar a eficiência está na modernização dos processos internos. Isso envolve o uso de tecnologias como automação e IA, análise de dados e computação em nuvem. Para ilustrar esse cenário, o setor financeiro cabe como uma grande referência. Em 2018, por exemplo, 66% das transações bancárias foram realizadas por meios automatizados, como internet banking e mobile banking. Com isso, ganhou-se em produtividade, eficiência operacional e redução de custos sem, necessariamente, aumentar a carga de trabalho.
A digitalização acelerada dos serviços financeiros impôs uma nova lógica de trabalho: mais ágil, orientada a dados e centrada no cliente. Para acompanhar esse ritmo, é essencial investir na capacitação contínua dos colaboradores. Isso inclui treinamentos técnicos sobre novas tecnologias, como inteligência artificial, automação e segurança cibernética, mas também habilidades interpessoais, como comunicação empática, liderança e colaboração. Funcionários bem preparados são mais confiantes, cometem menos erros e conseguem resolver problemas de forma mais proativa, impactando diretamente na produtividade e na satisfação do cliente.
Contudo, eficiência não se resume a tecnologia. É necessário investir no capital humano. De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), o capital humano no Brasil cresceu em média 2,2% ao ano entre 1995 e 2023. Tenho absoluta convicção de que tal crescimento foi o principal responsável pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no período. Apoiar o desenvolvimento humano sempre é o melhor investimento.
Nesse contexto, a promoção de ações de Diversidade e Inclusão (D&I) não é apenas um ato de responsabilidade social. Ambientes diversos e inclusivos tendem a gerar mais inovação, criatividade e engajamento. Empresas que valorizam diferentes perfis — seja por gênero, raça, idade, orientação sexual ou deficiência — constroem times mais ricos em perspectivas, o que se reflete diretamente na qualidade das soluções financeiras ofertadas ao mercado.
Segundo pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), 52% das instituições financeiras associadas possuem políticas institucionais voltadas para D&I. O desafio, nesse caso, é sua implementação. O mesmo levantamento atesta que apenas 24% das empresas estabelecem metas claras de inclusão, ao passo que 35% implementaram ferramentas para medir os resultados dessas políticas.
Em um cenário onde a tecnologia redefine continuamente o ambiente de trabalho, a verdadeira vantagem competitiva está em conectar o capital humano às ferramentas digitais de forma estratégica. Recursos como IA, automação e plataformas de produtividade só atingem seu potencial máximo quando operados por profissionais capacitados, engajados e preparados para extrair valor dessas soluções. A produtividade sustentável nasce desse encontro: da inteligência das máquinas somada à criatividade, ao senso crítico e à empatia das pessoas. Por isso, mais do que adotar tecnologia, é fundamental integrar essa transformação à cultura organizacional, investindo no desenvolvimento humano. Só assim será possível construir ambientes de trabalho mais ágeis, colaborativos e preparados para inovar continuamente.
(*) CEO da Cloud Target.
