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Embraer, uma história de sucesso

em Tecnologia
quinta-feira, 29 de maio de 2025

A Embraer foi criada em 1969 e começou a operar no início de 1970.

Vivaldo José Breternitz (*)

Seu primeiro produto foi o Bandeirante (EMB 110), um turboélice bimotor com capacidade para até 21 passageiros, desenvolvido tanto para uso militar quanto comercial.

O Bandeirante fez seu primeiro voo em 26 de outubro de 1968, antes mesmo da criação da empresa, e era um projeto do Centro Técnico da Aeronáutica. A Embraer foi criada com o propósito de industrializar e produzir essa aeronave em escala comercial; cerca de 500 delas foram produzidos até o ano de 1991.

Pouco depois, veio o primeiro jato: o EMB 326 Xavante, projeto da italiana Aermacchi, montado sob licença pela Embraer no Brasil. O Xavante realizou seu voo inaugural em 7 de setembro de 1971, tornando-se o primeiro jato produzido em território brasileiro. Ao todo, foram produzidas 182 unidades — 167 destinadas à Força Aérea Brasileira, nove para o Paraguai e seis para o Togo.

Desde 1980 a Embraer fabrica também a família Tucano, turboélice de uso militar que pode ser usado como avião de treinamento ou de ataque. Mais de 600 unidades já foram produzidas, e muitas delas exportadas. Tucanos são utilizados pela Esquadrilha da Fumaça da FAB.

Durante os anos 1980, a Embraer se uniu Aermacchi e à também italiana Alenia para desenvolver o AMX, jato de ataque ainda utilizado pela FAB. Cerca de 200 foram construídos e alguns deles utilizados pela força aérea da Itália em combates no Kosovo e na Líbia.

A Embraer também produz uma série de aviões de pequeno porte projetados por terceiros e extensivamente utilizados na aviação privada. Outro produto de porte similar é o Ipanema, usado na pulverização agrícola e que foi projetado pela empresa em conjunto com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica – até 2024, já haviam sido produzidas cerca de 1600 unidades do Ipanema, havendo inclusive uma versão propelida a etanol.

Na década de 1990, a Embraer lançou o ERJ 145 — jato com dois motores e capacidade entre 37 e 50 passageiros, cujo sucesso gerou uma família inteira de jatos regionais (ERJ 135, ERJ 140, ERJ 145 e ERJ 145XR), consolidando a Embraer como referência mundial na aviação comercial. O modelo deu origem ainda ao EMB 145 ISR, aeronave voltada a missões de inteligência e vigilância, similar a um mini-AWACS.

Na década de 2000, a empresa expandiu sua atuação para o segmento de jatos executivos com as linhas Legacy e Phenom, bastante populares no mercado de aviação privada.

Nos últimos anos, destacam-se marcos como o lançamento do cargueiro militar KC-390 em 2015. Em 2016 foi lançado o E190-E2, bimotor de médio alcance que está substituindo os jatos da família E.
Em 2017, a Embraer firmou uma parceria com a Uber para desenvolver veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), voltados à mobilidade urbana.

Em apenas 55 anos, a Embraer tornou-se a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo. Com mais de 8 mil aeronaves entregues e cerca de 18 mil funcionários, a empresa possui fabricas no Brasil, Estados Unidos e Portugal.

A Embraer é motivo de orgulho para o Brasil.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].