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J. B. Oliveira

                Qual é a forma correta: havia ou haviam?

 

J. B. Oliveira

                                                                                                                                                           

Essa é uma dúvida muito mais frequente do que sonha a nossa vã filologia! Isso porque algumas vezes o verbo aparece no singular – havia, houve, haverá – e outras no plural – haviam, houveram, haverão... E então? Qual é forma certa?

Depende!

De quê? Da situação específica em que esse haver se apresentar! Ocorre que ele pode ser Pessoal ou Impessoal. Por pessoal, entende-se um verbo que admite as chamadas Pessoas Gramaticais: Eu, Tu, Ele ou Ela; Nós, Vós, Eles ou Elas – como acontece com a quase totalidade dos demais verbos, que são normais, comportadinhos. Têm sujeito, com o qual concordam. Consequentemente, variam, acompanhando sua flexão. Tome-se para exemplo o verbo falar: Eu falo, Tu falas, Ele ou Ela fala; Nós falamos, Vós falais, Eles ou Elas Falam.

Já no caso de ser Impessoal, como o próprio termo indica, não há Pessoa Gramatical, isto é: o verbo não tem sujeito com que concordar. Em razão disso, tem-se aí uma Oração sem sujeito. E quando acontece isso, o verbo fica parado só na Terceira Pessoa do Singular.

 

Ora, o verbo haver é pessoal nestas duas circunstâncias:

 

  1. 1.quando significa: almejar, conseguir, ter, pretender ou entender. Como nestes exemplos:

 

Com tal conduta, que haveis (almejais) na vida?

Depois de muito lutar, houveram (conseguiram) o que objetivavam.

Candidato e partido houveram (tiveram) uma ruinosa lição.

Façam isso, e vocês se haverão (se entenderão) comigo depois.

 

  1. 2.Quando funciona como verbo auxiliar:

 

Eu havia lido, Tu havias lido, Ele ou Ela havia lido; Nós havíamos lido; Vós havíeis lido; Ele ou Ela haviam lido.

 

Pode-se observar, sem dificuldade alguma, que a ocorrência da primeira situação, nos dias atuais, é muito rara. Às vezes, encontra-se aplicada a quarta hipótese “... vocês se haverão comigo”, mas de maneira incorreta, em que trocam o verbo haver pelo ver: “vocês se verão comigo”!

 

A segunda situação acontece quando aplicamos o verbo haver para auxiliar a conjugação de um outro verbo – chamado principal – em um fenômeno a que se dá o nome de locução verbal ou conjugação perifrástica. É apenas o uso simultâneo de mais de um verbo para expressar a mesma ideia. Nessa especial circunstância, o verbo principal fica paradinho numa das formas nominais (que são: infinitivo, gerúndio e particípio), enquanto o auxiliar sofre todas as flexões (o mesmo que acontece, por exemplo, com um auxiliar de escritório: é ele quem vai ao banco, ao correio, aonde quer que seja necessário, enquanto o chefe – o “principal” – fica tranquilo em sua sala...). No exemplo dado acima, temos a locução verbal “haver lido”, em que o sentido principal e o do verbo ler. Logo, o verbo haver vai servir-lhe de auxiliar... E vai “carregar o piano”, ou seja: passar por todas as flexões:

 

Eu havia lido, Tu havias lido, Ele ou Ela havia lido; Nós havíamos lido, Vós havíeis lido, Eles ou Elas haviam lido.

Por fim, o verbo haver é Impessoal quando usado no sentido de existir. não varia nunca! Fica sempre – toda a vida e mais seis meses – na terceira pessoa do singular! Por isso, é também chamado de unipessoal:

 

Havia muitas falhas. Houve milhões de queixas. Haverá guerras e rumores de guerra. controvérsias sobre o caso...

 *J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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