J. B. Oliveira

Novos tempos na Política?

J. B. Oliveira

 

A situação sociopolítica e econômica em que o Brasil se vê envolvido já há algum tempo impõe profunda reflexão sobre seu futuro, a prosseguirem as coisas no rumo e ritmo em que estão seguindo. A cada dia que passa, maiores são os descalabros que assolam a nação. E isso, em todos os setores.

Estão acontecendo coisas “nunca vistas antes na história deste país”. Por quê?

É certo que ninguém de bom senso aceita essa insustentável situação. Porém, a maioria se limita a criticar, reclamar e termina por dizer que “Alguém tem que resolver isso”. Não se dão conta de que “alguém” é um pronome INDEFINIDO. É igual a ninguém. Além disso, é um pronome que não é nem da primeira nem da segunda pessoa: é da TERCEIRA PESSOA! Se quisermos, de fato, resolver a questão, temos de alterar essa perversa ordem e tomar um pronome DEFINIDO, PESSOAL, DO CASO RETO, DA PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL: NÓS TEMOS DE RESOLVER ISSO!

A competência primária para solucionar o impasse seria do Poder Público Republicano, integrado pelo Executivo, Legislativo e Judiciário. Deste último, pouco se pode esperar. Distante do povo (os magistrados têm, em princípio, pouco contato com o público) e com um acúmulo de cerca de 100 milhões de processos em andamento, pouco fazem e, quando fazem, não o fazem satisfatoriamente.

O Executivo, por sua vez, de algum tempo vinha “puxando para trás”, como que a demonstrar certo interesse na desconstrução da nação brasileira, na quebra da ordem social e na permanência da população em baixos índices de desenvolvimento educacional e, por via de consequência, socioeconômico. (Por razões óbvias, importava manter o povo na ignorância, pois, como já dizia Francis Bacon (1561-1626) “Conhecimento é poder”.).

Em tais circunstâncias, o Legislativo – por sua dupla função de produzir leis e fiscalizar o Executivo – seria o meio mais efetivo para dar resposta e solução ao problema. Afinal, pela Constituição “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

E aí entra mais uma reflexão: um partido político deve ser a representação formal de uma IDEOLOGIA. Ora, basicamente há TRÊS posições ideológicas: direita, esquerda e centro, o que conduziria à existência de apenas três partidos. Porém, considerando “propensões atenuantes”, duas outras posições poderiam ser consideradas: centro-direita e centro-esquerda, elevando o número de siglas para cinco. Abrindo para mais eventuais tendências, duas outras escalas poderiam ser acrescentadas: extrema-direita e extrema-esquerda, totalizando então SETE possíveis convicções: direita, esquerda, centro; centro-direita, centro-esquerda; extrema-direita e extrema-esquerda. Pronto. Acabou. Não há mais espaço para concepções ideológicas. Ocorre que há no país perto de 40 partidos, dos quais 35 já formalmente registrados no TSE. São, em sua maioria, minúsculos partidos. Ou “anões”, como já se convencionou chamá-los. Existem sem fundamentação ideológica. E se sua razão de existir não é por IDEOLOGIA, a conclusão óbvia é que é por FISIOLOGIA! Não estão buscando praticar a Política – definida como “a ciência do bem comum” – mas a politicalha – a odiosa busca do bem particular de pessoas ou de grupos! Existem para fazer acordos nada republicanos, transacionando seu apoio a outras siglas. Se seguirmos o raciocínio do general Charles De Gaulle, que disse “Como se pode governar um país que tem 246 espécies de queijo”, concluiremos quão difícil é administrar um que tem quase quatro dezenas de “partidos”. Isso enquanto a própria França tem 14, o Reino Unido, 13 e o Chile – como o México – 9!

Todos os partidos regularmente inscritos no TSE recebem verba do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos – Fundo Partidário, para os íntimos – e têm como uma de suas contrapartidas manter uma Fundação destinada à formação política e estudos relacionados à atividade político-partidária, pesquisas e desenvolvimento da população em ciências sociais e humanas. Só que não é o que acontece. Não há muito, o portal UOL Notícias escrachou:

“Nesta semana, o UOL publicou uma série de reportagens mostrando como os 3 partidos que mais recebem dinheiro do fundo – PT, PSDB e PMDB – gastam esses recursos. Há desde viagens de dirigentes pagas com dinheiro público a financiamento de churrascos e contratação de assessores”. (A transcrição é ipsis litteris, inclusive a parte grifada).

São também de De Gaulle estas frases, bem aplicáveis ao caso: “Em política, se trai o país ou o eleitorado. Prefiro trair o eleitorado”. (Aqui traem-se os dois...); e “Política é uma questão muito séria para ser deixada para os políticos”!

Na Grécia antiga, berço da democracia, havia dois tipos fundamentais de cidadãos. O POLITIKÓS, que procurava o bem, o progresso e o desenvolvimento de sua comunidade, a polis; e aquele que só se preocupava consigo mesmo, que só olhava para o próprio umbigo: era o IDIOTÊS. Em nosso cenário político, não falta IDIOTÊS travestido de POLITIKÓS...

Está na hora de – aproveitando os acontecimentos vinculados à Operação Lava-jato – procurar atrair, incentivar e incluir na Política – com P maiúsculo – as Novas Gerações, que não têm os vícios nem contaminação com as mazelas das raposas políticas. Por outro lado, entretanto, não têm também qualquer INFORMAÇÃO e, menos ainda, FORMAÇÃO POLÍTICA AUTÊNTICA que motive a ingressar na vida pública nacional! É tempo de a Juventude e os Cidadãos de Bem participarem da Política, promovendo a renovação dos quadros parlamentares, para, assim, dar novos valores à Pátria! Esta luta, que é de TODOS NÓS, lembra as palavras do patriota Tiradentes: “Se todos quisermos, podemos fazer deste país uma grande NAÇÃO! ”

 

*Dr. J. B. Oliveira, Consultor Empresarial e Educacional, é

Advogado, Professor e Jornalista. Pertence à Academia Cristã

de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

www.jboliveira.com.br

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