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Um campeão dos céus

em Tecnologia
terça-feira, 12 de agosto de 2025

Quando se fala em sucesso na aviação comercial, um dos indicadores mais claros é o número de unidades produzidas. Nesse quesito, dois gigantes vêm imediatamente à mente: Boeing e Airbus. Mais especificamente, seus modelos Boeing 737 e Airbus A320 – verdadeiros “cavalos de batalha” da aviação moderna.

Vivaldo José Breternitz (*)

Até o final de 2024, quase 12 mil unidades do 737 haviam sido construídas, enquanto a Airbus entregou 11.524 A320 até junho do mesmo ano. Mas nenhum deles detém o título de avião comercial mais produzido da história.

Esse posto pertence ao lendário Douglas DC-3, que voou pela primeira vez em 1935 e voa até hoje. Ao todo, mais de 13 mil unidades foram fabricadas, garantindo ao modelo um lugar especial na história da aviação; o avião mais produzido em todos os tempos é o Cessna 172 Skyhawk, com mais de 45 mil unidades fabricadas desde 1956.

O DC-3 podia cruzar os Estados Unidos de Nova York a Los Angeles com apenas três paradas para reabastecimento; seus antecessores exigiam cerca de 15. Foi o avião que impulsionou a aviação comercial: em 1940, mais de dois milhões de americanos já viajavam de avião. E, surpreendentemente, prestes a completar 90 anos, o “vovô dos céus” ainda está em operação — inclusive no transporte comercial.

Na época de seu lançamento, seu principal rival era o Boeing 247, introduzido dois anos antes. Mas o sucesso do DC-3 foi tão grande que, em meados dos anos 1940, 275 dos 300 aviões de linha aérea em operação nos EUA eram DC-3. Derivado do DC-2, o modelo pode transportar até 28 passageiros, sendo dotado de dois motores Wright SGR 1820-71 de 1.200 hp cada, capazes de mantê-lo a 300 km/h e a 10 mil pés (cerca de 3.000 metros) por até 3.380 km sem reabastecer.

Para os padrões da época, o avião era muito confortável. Orville Wright, um dos pioneiros da aviação, disse que a cabine era tão silenciosa que os passageiros podiam conversar sem gritar. Pilotos elogiavam sua facilidade de pilotagem e pouso e sua capacidade de voar com um único motor.

Mas ninguém imaginava que ele voaria por tanto tempo. Em 2020, estimava-se que 172 DC-3 ainda estivessem ativos.

Sua longevidade se explica pelo projeto robusto, a ausência de pressurização – que reduz o estresse estrutural e pela simplicidade mecânica, inclusive sem controles hidráulicos.

Noventa anos depois de seu voo inaugural, o DC-3 segue provando que, às vezes, engenharia sólida e simplicidade são a receita para o sucesso nos céus.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].

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