155 views 3 mins

Parece que Zuckerberg desistiu do Metaverso

em Tecnologia
terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Em outubro de 2021, o chefão do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou que sua empresa passaria a se chamar Meta, mais um sinal da aposta bilionária no Metaverso, um mundo virtual compartilhado, que combinaria realidade virtual, aumentada e a própria internet, criando uma espécie de “universo paralelo” digital.

Vivaldo José Breternitz (*)

A aposta tem se mostrado um desastre: a Meta já perdeu mais de US$ 70 bilhões com o Metaverso, número que tem deixado investidores inquietos e acreditando cada vez menos na visão de Zuckerberg de que passaríamos a viver em um universo virtual.

Agora, segundo a Bloomberg, executivos da Meta estudam cortes de até 30% nas equipes responsáveis pelos projetos ligados ao Metaverso; as demissões podem começar a qualquer momento. A notícia foi recebida com alívio pelo mercado: as ações da Meta subiram mais de 4% logo após o anúncio das prováveis medidas, sinalizando o cansaço dos investidores com a insistência da empresa em “fazer o metaverso acontecer”.

Enquanto isso, Zuckerberg já encontrou uma nova obsessão: inteligência artificial. A Meta se comprometeu a investir cerca de US$ 72 bilhões em IA nos próximos meses, praticamente o mesmo montante perdido com o Metaverso.

Os cortes fazem parte de uma estratégia mais ampla de redução de 10% nos gastos da Meta, e devem atingir principalmente a divisão Reality Labs, responsável pelas iniciativas de realidade virtual e aumentada, que incluem o Metaverso.

Vale lembrar um antepassado do Metaverso, o Second Life, que também pretendeu ser um grande mundo virtual. Lançado em 2003 pela empresa Linden Lab, permitia aos usuários criar avatares, interagir socialmente e até fazer negócios usando uma moeda própria.

Universidades, empresas e até governos criaram espaços virtuais dentro da plataforma, dentre eles pelo menos um grande banco e uma grande universidade brasileiros; chegou a ter milhões de usuários, mas com a mesma velocidade que surgiu, desapareceu, principalmente em função de problemas técnicos, visual tosco e da chegada de redes sociais mais dinâmicas. O Second Life ainda existe, mas hoje é um nicho voltado para comunidades específicas

O Metaverso pode ter alguma sobrevida, em função da importância dada a ele por Zuckerberg, mas ao que parece, essa sobrevida não deve ser longa, pois Zuck pode ser louco, mas não a ponto de rasgar (tanto) dinheiro.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].