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Ônibus elétricos chineses rodando na Europa podem ser paralisados à distância?

em Tecnologia
sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Uma nova preocupação envolvendo a China está mobilizando autoridades europeias: a possibilidade de que ônibus elétricos fabricados no país asiático e em circulação na União Europeia, possam ser desligados remotamente por seu fabricante, com o objetivo de gerar o caos na região.

Vivaldo José Breternitz (*)

Certamente há uma dose de paranoia envolvendo o assunto, que ganhou destaque após uma investigação na Noruega concluir que os ônibus elétricos fabricados pela Yutong, a maior fabricante mundial desses veículos em volume de vendas, poderiam ser imobilizados à distância pela empresa. A Yutong já exportou quase 110 mil veículos para mais de 100 países e detém cerca de 10% do mercado global.

A operadora Ruter, responsável por aproximadamente metade da rede de transporte público da Noruega, afirmou que a empresa chinesa tem “acesso digital direto a cada ônibus” para realizar atualizações de software e diagnósticos. “Em teoria, isso poderia ser explorado para afetar a operação do veículo”, disse a Ruter, afirmando também que não existem evidências de que a Yutong tenha tentado interferir no funcionamento dos ônibus e que as câmeras dos veículos não estão conectadas à internet, eliminando riscos de transmissão de imagens ou vídeos.

Após as descobertas norueguesas, a Dinamarca abriu sua própria investigação. A Movia, maior empresa de transporte público do país, afirmou estar avaliando os riscos, mas destacou que estes não são exclusivos de ônibus chineses. Segundo executivos da empresa, atualizações remotas são comuns em veículos elétricos, inclusive nos fabricados por empresas ocidentais.

O Reino Unido também iniciou uma análise sobre os ônibus, objetivando compreender e definir medidas para mitigar possíveis riscos.

Falando à NBC News, a Yutong declarou que “entende as preocupações quanto à segurança dos veículos e à proteção de dados”, e que “cumpre rigorosamente as leis, regulamentos e padrões da indústria”. A empresa afirmou ainda que os dados dos ônibus são criptografados, armazenados em data centers da Amazon Web Services e só podem ser acessados com autorização do cliente, “exclusivamente para manutenção e melhoria dos veículos, com foco em atender às necessidades de pós-venda dos clientes”.

Temores sobre possíveis riscos de segurança associados a produtos chineses não são novidade – foi esse tipo de preocupação que levou a Huawei à lista de empresas que sofrem restrições do governo americano e que agora pode resultar na proibição dos roteadores da TP-Link naquele país.

Preocupações com segurança são sempre válidas, mas neste caso parece haver uma boa dose de paranoia.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].