
Muitos políticos tem dito que a instalação de data centers, impulsionada pela revolução da Inteligência Artificial, trará grande progresso às suas regiões.
Vivaldo José Breternitz (*)
Mas a experiência tem mostrado que isso não é verdade, apesar dos investimentos da ordem de bilhões de dólares que vem sendo feitos.
Embora a construção desses centros de dados ocupe um número significativo de trabalhadores temporários, a quantidade de profissionais necessários ao seu funcionamento regular é muito menor. Um exemplo é o mega projeto Stargate da OpenAI, que prevê a construção de um data center no Texas empregando 1.500 pessoas durante a obra, mas que gerará apenas cerca de 100 empregos permanentes.
A corrida para construir data centers para IA tem ofuscado aspectos que vão além da baixa criação de empregos – quase não se fala na necessidade de grandes áreas e o absurdamente alto consumo de energia que deve trazer problemas às regiões onde esses data centers serão instalados.
Big techs como Amazon, Google e Microsoft já operam, apenas nos Estados Unidos, 445 data centers, com outros 249 em construção, sempre falando em criação de empregos para mascarar esses problemas – em média, um data center emprega entre 30 e 50 pessoas e ocupa áreas entre 5 mil e 500 mil metros quadrados.
Esse problema já está chegando ao Brasil e pode se tornar sério por aqui, com muitos data centers sendo instalados no país, dada nossa boa disponibilidade de energia elétrica com custo relativamente baixo.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




