Norman Borlaug e a revolução verde não podem ser esquecidos

O tratamento fanático dado a algumas causas nobres, como a preservação do meio ambiente, acaba gerando mais problemas que soluções.

Vivaldo José Breternitz (*)

Isso, aliado a extremismos de natureza ideológica, potencializa danos, inclusive com tentativas de destruição de biografias.

É o que está acontecendo com Norman Ernest Borlaug (1914-2009), um agrônomo americano que logo depois de se formar foi trabalhar no México, onde desenvolveu pesquisas que   resultaram na criação de diversas variedades de trigo de alta resistência e produtividade.

Graças à aplicação dos resultados das pesquisas de Borlaug, em 1963 o México tornou-se exportador de trigo. Essas novas variedades foram introduzidas por Borlaug na Índia e no Paquistão, fazendo com que a produção de trigo destes dois países dobrasse entre 1965 e 1970, ajudando a combater a fome endêmica que os assolava.

Borlaug não estudava apenas trigo, mas diversos outros produtos. As técnicas que desenvolveu e propostas do uso de tecnologia no campo foram levadas a inúmeros outros países, inclusive tendo influenciado pesquisadores e agricultores brasileiros no processo que levou nosso país à vanguarda do agronegócio, que hoje em dia sustenta nossa economia.

A obra de Borlaug gerou o que foi chamado Revolução Verde. Estima-se que seu trabalho tenha salvo da inanição entre 245 milhões e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, trazendo-lhe o Nobel da Paz em 1970.

Voltando aos fanáticos e extremistas: estes acusam Borlaug, dizendo que seus métodos criam dependência de monoculturas, que suas técnicas de agricultura são insustentáveis no longo prazo, que levam à inviabilização da agricultura de subsistência e que provocam níveis elevados de câncer entre trabalhadores que tem contato com produtos químicos usados no campo.

Boralug rejeitou enfaticamente essas acusações, dizendo serem infundadas ou falsas – evidentemente, se fossem verdadeiras em algum grau, o que se deveria fazer era buscar soluções que mitigassem os problemas apontados e não simplesmente pregar a volta à enxada, que certamente faria milhões morrerem de fome.

Em 1986, Borlaug criou o World Food Prize (Prêmio Mundial da Alimentação), destinado a reconhecer indivíduos que melhoraram a qualidade, a quantidade e a disponibilidade de alimentos em todo o mundo. Os agrônomos brasileiros Edson Lobato e Alysson Paulinelli receberam   o prêmio pelo seu trabalho no desenvolvimento da agricultura na região do cerrado. O ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva também foi premiado por sua atuação no combate à fome como chefe de governo.

O Prêmio Mundial da Alimentação hoje é um programa da ONU e em 2020, como seu criador, recebeu o Nobel da Paz. Norman Borlaug não pode ser esquecido ou diminuído!

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap