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Kodak: uma agonia sem fim

em Tecnologia
terça-feira, 19 de agosto de 2025

A Eastman Kodak, outrora um gigante da área de tecnologia da imagem, veio a público desmentir informações divulgadas por veículos como CNN e CNBC de que estaria prestes a encerrar suas operações.

Vivaldo José Breternitz (*)

As notícias ganharam força após o balanço trimestral da companhia indicar que a empresa não dispõe de recursos financeiros para cobrir suas dívidas que vencem nos próximos 12 meses.

Em resposta, a Kodak divulgou um comunicado oficial garantindo que não pretende parar de operar nem pedir proteção contra falência. A empresa afirma ter estratégias em andamento para pagar, estender ou refinanciar seus débitos antes dos vencimentos, e prevê apresentar um balanço mais saudável já no início do próximo ano.

A companhia explicou ainda que utilizará US$ 300 milhões que devem entrar em seu caixa em dezembro, oriundos da liquidação de seu fundo de pensão, para quitar parte significativa dos US$ 477 milhões em dívidas de longo prazo. O valor remanescente de US$ 177 milhões, será tratado em seguida.

Apesar da reafirmação de sua continuidade, a tradicional fabricante de produtos fotográficos, com 133 anos de história, enfrenta dificuldades financeiras recorrentes desde que a fotografia digital tomou o lugar do filme.

Atualmente, além de filmes e materiais para revelação, a Kodak fornece impressoras, presta serviços de impressão e digitalização e licencia sua marca para produtos de consumo – também vem tirando proveito de uma onda nostálgica impulsionada pela Geração Z, que redescobriu câmeras convencionais como forma de resgatar uma experiência analógica que nunca vivenciou – no entanto tudo isso parece que não conseguirá fazer o que a empresa volte aos seus tempos de glória.

Diz a lenda que quando surgiram as câmeras digitais, a Kodak deixou de investir nelas, acreditando que sua tecnologia baseada em filmes e produtos para revelação não corria risco – se isso for verdade, trata-se de mais um erro estratégico que praticamente matou uma grande empresa.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].

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