
O The New York Times aprovou ferramentas de inteligência artificial para sua equipe de redação usar para escrever, editar e resumir textos.
Vivaldo José Breternitz (*)
O portal Semafor informou que o pessoal do NYT receberá treinamento em IA e que o jornal está implantando uma ferramenta de IA chamada Echo, que será utilizada por seus funcionários.
Já foram definidas diretrizes editoriais detalhando os usos permitidos do Echo e de outras ferramentas de IA que eventualmente venham a ser utilizadas.
Além das funções mais comuns, como escrever, pesquisar, resumir e traduzir, o Echo será usado para gerar textos promocionais para mídias sociais, manchetes otimizados para mecanismos de buscas, quizzes e sugerir a repórteres perguntas a serem feitas a entrevistados.
Existem restrições, no entanto – a empresa informou à equipe editorial que a IA não deve ser usada para inserir materiais com direitos autorais de terceiros, publicar imagens e vídeos gerados por IA sem rotulagem explícita e contornar paywalls, que são sistemas que restringem o acesso a conteúdo online, exigindo que o usuário pague uma taxa para acessa-lo.
Não está claro quanto do conteúdo produzido por IA o NYT permitirá nos artigos que publicará. O jornal prometeu que “o jornalismo do The Times sempre será produzido por nossos jornalistas”, em um memorando divulgado no ano passado, tendo reafirmado esse compromisso com a participação humana alguns meses depois.
Em outro documentos interno publicado em maio de 2024, o NYT afirmou que a IA generativa pode ajudar, mas o trabalho deve sempre ser produzido sob a responsabilidade de jornalistas e revisado por editores.
Essas ferramentas de IA e diretrizes de treinamento estão sendo implementadas enquanto o The Times continua envolvido em uma batalha legal com a OpenAI e a Microsoft, alegando que o ChatGPT foi treinado com conteúdo do jornal sem permissão.
Muitas outras publicações também introduziram IA em suas redações, em maior ou menor escala, variando de ferramentas para verificação de ortografia e gramática até geração de artigos inteiros.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.



