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Flórida planeja deixar de exigir vacinas

em Tecnologia
quarta-feira, 10 de setembro de 2025

É incrível, mas em pleno século XXI o governo do estado da Flórida pretende extinguir todas as exigências de vacinação.

Vivaldo José Breternitz (*)

Imunizações de rotina contra doenças graves e potencialmente fatais, como influenza, coqueluche, difteria, sarampo, tétano e poliomielite deixariam de ser obrigatórias, inclusive para crianças.

O anúncio foi feito por Joseph Ladapo, que ocupa cargo equivalente ao de secretário estadual da saúde, em coletiva de imprensa ao lado do governador do estado Ron DeSantis.

Ao anunciar a medida, Ladapo, que nasceu na Nigéria, disse em tom exaltado que “em parceria com o governador, vai trabalhar para acabar com todas as exigências de vacinas na lei estadual — todas, todas, cada uma delas”, concluindo depois que “cada uma dessas exigências é errada, carrega desprezo e escravidão.”

Conhecido por sua postura antivacina e por sistematicamente disseminar desinformação, Ladapo chegou a questionar a própria lógica da saúde pública, alegando que não existe “base ética” para exigir vacinação como forma de proteger os mais vulneráveis.

Para ele, a exposição de bebês e pessoas imunocomprometidas a doenças preveníveis por vacinas seria apenas “parte da experiência da vida”. Em outro momento, classificou as vacinas contra a Covid-19 que salvaram milhões de vidas durante a pandemia — como “veneno”.

Se a medida avançar, a Flórida será o único estado americano sem qualquer exigência de vacinação para a frequência escolar. No cenário nacional, as taxas de vacinação de crianças em idade pré-escolar caíram para cerca de 92%, abaixo da meta de 95% necessária para evitar surtos.

Ideias desse tipo ganham força em meio à ascensão de Robert F. Kennedy Jr., um dos mais conhecidos ativistas antivacina do país, a cargo equivalente ao de ministro da saúde. Kennedy tem trabalhado ativamente para enfraquecer políticas de imunização, espalhar desinformação e dificultar o acesso a vacinas.

O anúncio ocorre em um ano marcado pelo maior surto de sarampo desde que o vírus foi declarado eliminado do território americano, em 2000. Em 2024, os Estados Unidos registraram o maior número de casos em 33 anos, tendo se registrado casos de morte de crianças saudáveis causadas pela doença.

É incrível como fanáticos vem ganhando espaço, especialmente em um país onde a ciência é tão avançada…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].