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Ferve o mercado de dispositivos para armazenagem de dados

em Tecnologia
terça-feira, 16 de setembro de 2025

O mercado de computação vive um momento de euforia com o crescimento das aplicações de inteligência artificial.

Vivaldo José Breternitz (*)

Seja o cenário atual sustentável ou não, as empresas estão despejando fortunas em hardware. Manchetes da imprensa especializada concentram-se nas GPUs, mas o setor de armazenamento de dados também está sob forte pressão, especialmente os fabricantes de discos rígidos, que, segundo analistas, não ampliam sua capacidade produtiva há mais de uma década. Vale lembrar que esses dispositivos começaram a chegar ao mercado em setembro de 1956.

A consultoria TrendForce afirma que o prazo de entrega para discos rígidos de alta capacidade do tipo nearline já ultrapassa 52 semanas – mais de um ano. A consultoria publicou recentemente dois relatórios sobre o tema, um deles incluindo uma carta da Western Digital, um dos maiores fabricantes mundiais de discos rígidos, dirigida a clientes, alertando para uma “demanda sem precedentes em todas as capacidades de seu portfólio” e anunciando reajustes de preços em toda a sua linha de discos. Oficialmente, a justificativa é “apoiar esse crescimento e garantir excelência contínua”, mas a medida obviamente objetiva aumentar os lucros da companhia – a velha lei da oferta e procura segue em vigor….

O termo nearline, que vem chegando recentemente à imprensa especializada, refere-se a um meio-termo entre dados online e offline: são informações que precisam estar disponíveis para acesso rápido, mas não tão rápido quanto os armazenados em dispositivos SSD usados como armazenamento primário. Como não são acessados o tempo todo, os discos rígidos ainda cumprem bem as funções de armazenamento nearline, especialmente por custarem de quatro a cinco vezes menos que SSDs equivalentes em capacidade.

A demanda por esse tipo de armazenamento cresce na mesma velocidade dos avanços da IA generativa, especialmente pelo volume cada vez maior de dados armazenado – esse volume não pode ser arquivado em dispositivos offline , mas é grande demais para os dispositivos de armazenamento primário da maioria dos servidores, justificando a corrida por discos nearline.

Ainda segundo a TrendForce, fornecedores de memória estão desenvolvendo SSDs voltados especificamente para uso nearline, o que deve reduzir custos no futuro. No curto prazo, porém, a expectativa é de alta também nos preços dos SSDs, não só naqueles para uso corporativo, mas também para os de uso pessoal, como notebooks, desktops, tablets, smartphones e outros.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].