
Autoridades norueguesas atribuíram oficialmente à Rússia um recente ciberataque contra uma barragem em Bremanger, no oeste do país, levantando preocupações sobre possíveis ações de sabotagem contra infraestruturas críticas de toda a Europa.
Vivaldo José Breternitz (*)
É a primeira vez que Oslo estabelece um vínculo formal entre esse tipo de ataque e atores pró-Rússia.
O incidente ocorreu em abril, quando hackers conseguiram acessar remotamente os sistemas de computador da barragem e abriram uma válvula. Segundo a agência Reuters, o ataque liberou cerca de 600 litros de água por segundo, durante quatro horas seguidas, antes de ser detectado e interrompido pelos operadores da barragem.
Embora não tenham sido registradas vítimas ou danos materiais após o despejo de aproximadamente 9 milhões de litros de água, serviços de inteligência afirmam que a ação integra uma campanha mais ampla destinada a intimidar e desestabilizar a população.
Durante uma coletiva à imprensa, Beate Gangås, a chefe do Politiets sikkerhetstjeneste, Serviço de Segurança da Polícia da Noruega, principal agência de inteligência doméstica do país e responsável por contrainteligência e contraterrorismo, disse que “O nosso vizinho russo se tornou mais perigoso e eu quero que nossos compatriotas estejam preparados”.
A Noruega e a Rússia têm uma fronteira comum de 198 quilômetros, no extremo norte da Europa, na região do Círculo Polar Ártico.
Provas do ataque surgiram em um vídeo de três minutos publicado no Telegram, com marca d’água de um grupo cibercriminoso pró-Rússia. Fontes da polícia norueguesa confirmaram a autenticidade do material à emissora NRK, observando que, embora conteúdos semelhantes já tenham circulado em redes sociais, este caso representa a primeira invasão confirmada à infraestrutura hídrica norueguesa desde 2022.
A polícia informou ao jornal Aftenposten que o grupo responsável é composto por hackers que operam em parceria e que já desfecharam diversos ataques contra empresas ocidentais nos últimos anos.
Demonstrando como ataques como esses vem se tornando comuns e perigosos, é oportuno lembrar que câmeras que controlam rodovias holandesas foram tiradas do ar recentemente, ao que parece também por hackers russos.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].


