
Um relatório produzido pela U.S. – China Economic and Security Review Commission, órgão do Congresso americano, afirma que a China está desenvolvendo tecnologia com capacidade de cortar cabos submarinos, interrompendo comunicações em caso de conflito – por cabos como esses, fluem cerca de 95% do tráfego global da internet.
Vivaldo José Breternitz (*)
No relatório, a Comissão destaca que instituições científicas ligadas às forças armadas chinesas vêm registrando patentes e pesquisando métodos para cortar cabos em águas profundas de forma barata e eficiente. Uma dessas instituições recentemente tornou publicas informações sobre um dispositivo capaz cortar cabos a mais de 4 mil metros de profundidade.
Além dos avanços tecnológicos, o relatório cita casos de embarcações vinculadas à China envolvidas em danos a cabos submarinos próximos a Taiwan e no Mar Báltico. O caso mais notório ocorreu em novembro de 2024, quando um navio chinês arrastou sua âncora por mais de 160 quilômetros, rompendo dois cabos que conectavam a Suécia à Lituânia e a Alemanha à Finlândia.
A Comissão afirma ter obtido acesso a um banco de dados chinês que lista pontos estratégicos em Taiwan, incluindo estações de desembarque de cabos submarinos.
A ameaça é séria, pois os cabos são a espinha dorsal de transações financeiras, serviços governamentais, plataformas de cloud computing e comunicações civis e militares. Uma interrupção em situação de crise reduziria o desempenho e disponibilidade da internet ao redirecionar o tráfego por rotas menos eficientes, provocando aumento da latência e perda de conectividade. Como demonstraram recentes falhas em serviços como AWS e Cloudflare, mesmo períodos curtos de instabilidade podem gerar grandes problemas e prejuízos.
Por fim, o relatório ressalta que a infraestrutura física que sustenta os sistemas conectados é vulnerável, o que levou a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos a propor novas regras para os cabos que ligam o país ao resto do mundo.
É oportuno lembrar que, no caso do Brasil, cabos submarinos são responsáveis cerca de 97% do tráfego internacional de dados.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].




