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Apple aumenta seus investimentos nos EUA

em Tecnologia
sexta-feira, 08 de agosto de 2025

Buscando fortalecer sua presença industrial nos Estados Unidos, a Apple anunciou um investimento adicional de US$ 100 bilhões no país ao longo dos próximos quatro anos.

Vivaldo José Breternitz (*)

A iniciativa foi revelada durante um evento na Casa Branca com a presença do CEO Tim Cook e do presidente Donald Trump. Agora os investimentos da Apple no país devem chegar a US$ 600 bilhões.

A expansão ocorre em um momento em que a gigante de tecnologia tem sido pressionada pelo governo a aumentar sua produção doméstica e reduzir a dependência de fábricas estrangeiras. Trump, em reiteradas ocasiões, criticou o fato de os iPhones serem montados fora dos EUA e chegou a ameaçar a Apple com tarifas de até 25% caso a empresa não transferisse parte significativa de sua produção para o território nacional.

O anúncio acontece em meio a uma nova onda de tarifas impostas a produtos vindos da Índia, medida que complica a estratégia global da Apple de diversificar sua cadeia de suprimentos – a empresa já havia começado a deslocar parte da produção da China para países como Índia e Vietnã.

Inicialmente, os novos investimentos permitirão a expansão da parceria com a Corning, fornecedora do vidro utilizado nas telas dos iPhones e Apple Watches. A Apple investirá US$ 2,5 bilhões para transformar a fábrica da Corning em Harrodsburg, Kentucky, na maior e mais avançada linha de produção de vidro para smartphones do mundo.

Segundo a Apple, o projeto deve aumentar em 50% o número de empregados na fábrica da Corning – todos os iPhones e Apple Watchs vendidos no mundo contarão com telas ali produzidas. A empresa também pretende criar um Centro de Inovação Apple-Corning.

A Apple ainda amplia sua colaboração com outras parceiras estratégicas, como Applied Materials e Texas Instruments, e avança em acordos com empresas especializadas em equipamentos para produção de chips e componentes voltados para reconhecimento facial e inteligência artificial.

Outro destaque é a construção de uma fábrica de servidores de 23 mil m² em Houston. A Apple também pretende contratar até 20 mil profissionais nas áreas de inteligência artificial, engenharia e desenvolvimento de software, além de inaugurar uma academia de manufatura em Detroit para apoiar pequenas e médias indústrias americanas.

Apesar da magnitude do investimento, analistas observam que ele ainda está longe de representar uma realocação total das operações de montagem do iPhone — principal desejo de Trump. A maior parte dos iPhones vendidos nos EUA continua sendo montada na Índia, enquanto outros dispositivos seguem sendo fabricados no Vietnã. A própria Apple reconhece que “nacionalizar completamente a produção exigiria uma reestruturação total da cadeia global de suprimentos”, que hoje representa centenas de milhares de empregos no exterior, inclusive no Brasil.

O desafio para a Apple é equilibrar interesses comerciais, políticas tarifárias e pressões geopolíticas. A empresa já sofreu um impacto de US$ 800 milhões em tarifas no último trimestre e estima custos superiores a US$ 1 bilhão no próximo, podendo haver aumentos adicionais caso novas tarifas sobre produtos que utilizam semicondutores sejam implementadas.

A iniciativa da Apple está alinhada com um movimento mais amplo da indústria americana, incentivado pelo governo, para impulsionar investimentos em inteligência artificial, produção de chips e infraestrutura de dados. Parcerias recentes com Oracle, Nvidia e OpenAI refletem o esforço para manter a liderança tecnológica e fortalecer a capacidade industrial americana em um mercado global cada vez mais competitivo.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].