Você paga a passagem ou pula a catraca?

Izac de Almeida (*)

A operação da CPTM enfrenta muitos problemas, e os principais prejudicados são sempre os usuários, que de falha técnica a atrasos perdem preciosas horas do seu dia em intermináveis trilhos.

Entre as reclamações mais constantes é o preço da tarifa, atualmente em R$ 4,30. Em uma análise rápida é possível identificar que o valor pago não se reflete na qualidade do serviço prestado. “Pagamos mais e o serviço continua o mesmo” e “Se pelo menos pagando mais o transporte melhorasse”, são frases normalmente utilizadas por usuários para demonstrar sua insatisfação em relação ao serviço ferroviário oferecido.

Entre as muitas causas para a desconexão entre valor e serviço está, acreditem, a evasão de receita, que nada mais é do que o dinheiro que a empresa deixa de ganhar com passageiros que simplesmente não pagam sua passagem. Isso sem contar quem possui esse direito, como idosos e estudantes.

A evasão é provocada por pessoas mal intencionadas, que pulam grades e catracas ou que utilizam bilhetes especiais para os quais não têm direito e, assim, evitar o pagamento da tarifa. Em Piracicaba, levantamento na rede municipal de ônibus, constatou que 100 mil passagens deixavam de ser pagas no mês. Estamos falando de uma cidade com 300 mil habitantes. Se todos usasse esse meio de transporte uma vez por mês, um terço não pagaria!

Trazendo para a cidade de São Paulo, a CPTM recebe 3,2 milhões de usuários por dia. Se 10% deles não pagarem, são 320 mil pessoas; se 5% resolverem pular as catracas, são 160 mil usuários sem pagar. E mesmo que apenas 1% dos passageiros não pague, os números continuam astronômicos. Isso para o cenário de um dia. Se multiplicarmos pelos dias úteis, em um mês o número total com certeza nos faria cair o queixo.

Como não existe contagem desse contingente, não temos como saber com certeza o montante (em reais) que a CPTM está deixando de arrecadar, mas uma conclusão é possível de ser feita: o usuário honesto está pagando também por quem não usurpa o transporte público.

Há diversas alternativas para evitar esse tipo de fraude. Nos ônibus, são utilizadas câmeras e o cobrador para identificar se a pessoa é mesmo a dona do cartão preferencial e inibir o acesso sem pagar. No trem, esse controle é mais complexo. Para começar, o número de funcionários das estações não é suficiente para verificar todos os bilhetes ou para, nos momentos de grande fluxo, impedir que alguém pule a catraca.

Outro ponto importante é que não há seguranças suficientes para evitar que pessoas pulem grades e muros. Além da qualidade do transporte, a questão da evasão de receitas é mais um problema que a CPTM precisa resolver e que, com certeza, melhoraria a vida dos usuários e ferroviários, pois tecnicamente a empresa teria mais recursos para investir nas urgentes melhorias necessárias para o transporte de passageiros.

(*) – É presidente do Sindicato Sorocabana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap