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Realidade virtual e aumentada: quais são as possibilidades para o futuro?

em Opinião
terça-feira, 04 de julho de 2023

Marcio Aguiar (*)

Percebemos um avanço cada vez mais rápido nas tendências tecnológicas.

Há muitas empresas utilizando ferramentas que proporcionam experiências imersivas, seja na indústria, educação ou na área da saúde, para visualizar os processos ou testar produtos antes de criar algo no mundo real. O mercado de realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA) contribui para a realização dessas atividades e tem movimentado bilhões nos últimos anos, ainda mais com o interesse do público pelo metaverso.

Apesar de parecer ter a mesma função, essas tecnologias possuem objetivos diferentes. A realidade aumentada é uma tecnologia interativa que integra elementos virtuais no mundo real, utilizando elementos digitais como dados, imagens e sons, geralmente por meio de câmeras e sensores de movimento. Dessa forma, esse recurso consegue sobrepor alguns elementos e auxiliar na experiência dos usuários em lojas virtuais, jogos ou redes sociais.

Já a realidade virtual tem como objetivo inserir os usuários em ambientes virtuais, criados por meio de um sistema computacional, permitindo uma experiência de imersão completa. Essa experiência pode ser simulada ou muito semelhante ao mundo real, sem ou com interação, muitas vezes tridimensional e multissensorial. Para isso, são utilizados headsets que possibilitam essa imersão no ambiente. Com o consumo cada vez mais voltado para o ambiente virtual, a estimativa é de que as vendas mundiais de headsets de realidade virtual aumentem cerca de 28 milhões em 2025, de acordo com uma estimativa da empresa IDC.

Segundo o relatório Worldwide Augmented and Virtual Reality Spending Guide da IDC, os gastos mundiais com realidade aumentada e realidade virtual devem chegar a US$ 50,9 bilhões em 2026. Entre os setores que a IDC prevê investimentos nessas tecnologias estão manufatura, saúde, serviços profissionais, educação, varejo, telecomunicações, governos e serviços públicos. Já uma pesquisa publicada no site Statista prevê que o mercado dessas tecnologias deve atingir a marca de US$ 250 bilhões em 2028.

Com as diversas aplicações focadas em IA generativa, sendo cada vez mais aprimorados, ficará mais fácil para qualquer pessoa criar simulações e ambientes interativos em 3D no metaverso. Isso porque essa tecnologia possibilitará a criação de cenários virtuais fotorrealistas, além de avatares que tenham alguma semelhança com o usuário.

Sem dúvidas, essa tecnologia pode impactar positivamente setores como os citados anteriormente e as possibilidades para as aplicações são inúmeras. Na indústria, por exemplo, esses recursos são utilizados em digital twins, ou gêmeos digitais, que são representações de fábricas no ambiente virtual. Isso contribui para manutenção preditiva, identificação de melhorias, otimização dos processos, tornando todo o trabalho mais eficiente e até impactando no orçamento da empresa.

No Reino Unido, duas equipes de engenharia da Hyperbat, maior fabricante independente de baterias para veículos elétricos da região, utilizam tecnologia de RV habilitada por 5G para colaboração, mesmo estando há uma distância de cerca de 112km. Com as sessões colaborativas feitas nesse formato, os engenheiros conseguem identificar os erros e corrigi-los, fazendo com que o processo de design da bateria seja mais econômico.

Além de manufatura, a cultura e o entretenimento também utilizam essas tecnologias, como é o caso de bibliotecas e museus que adotam exposições imersivas com projeções de ambientes reais, imaginários, históricos ou até mesmo extintos. Utilizando dispositivos como tablets, headsets, smartphones o público consegue manipular objetos digitais e explorar esses recursos de forma mais divertida.

Outro mercado que tem inserido essas realidades é o varejo. Diversas marcas utilizam esse recurso em ações de marketing e para melhorar a experiência de compra dos consumidores. Por meio de aplicativos há possibilidade de testar produtos utilizando reconhecimento facial, já os espelhos virtuais ou provadores digitais permitem que o cliente identifique o tamanho ideal da roupa. Além da comodidade de não precisar se deslocar até as lojas, isso facilita para o mercado identificar as características do consumidor e fazer sugestões mais assertivas.

Com o investimento das empresas de diversos setores nessas tecnologias, acredito que teremos uma constante evolução no uso da realidade virtual e aumentada nos próximos anos. Estamos em um período em que as inovações estão se formando rapidamente, a tendência é que esse recurso seja aprimorado cada vez mais para acompanhar o ritmo acelerado das novas tecnologias.

(*) É diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina.