Como o varejo pode se proteger e aproveitar oportunidades

Fernando Gambôa (*) e Paulo Ferezin (**)

A Covid-19 representa uma crise de saúde alarmante que está sendo enfrentada em todo o mundo.

Nesse momento, de elevada volatilidade e incerteza, a informação é uma das principais aliadas e muitas empresas estão priorizando os cuidados com as pessoas. Além do impacto humano, há os reflexos nos negócios e os efeitos continuarão se espalhando.

A ampla maioria (94%) das empresas listadas na Fortune 1000 estão sofrendo os transtornos provocados pela pandemia. No varejo, a pandemia causa impactos distintos. No segmento não alimentar, onde as lojas eram o principal canal, os varejistas que dependem de visitas de clientes estão sofrendo consideravelmente.

Mas, lojas de bairro, principalmente no segmento alimentar e farma, que atuam no conceito de proximidade, além de lojas on-line, estão aumentando o volume de negócios e atraindo novos clientes, ainda que enfrentem desafios na cadeia de suprimentos e na logística de entrega.

O surto revelou a falta de preparação do setor para crises e o crescimento contínuo do varejo doméstico fez com que muitas empresas deixassem de lado a mitigação de riscos. Há vários aprendizados nesse momento, mas é importante discutir agora como será o varejo com a retomada dos negócios no Novo Normal.

No curto prazo, as empresas devem manter um controle rígido dos custos e o fluxo de caixa deve ser mantido dentro de um nível razoável. Enquanto isso, as grandes marcas precisam estabelecer relacionamentos de longo prazo, inclusive, considerando o desenvolvimento de mais fornecedores locais. Além disso, as empresas devem preparar suas operações da cadeia de suprimentos para quando houver a recuperação econômica.

Na demanda, é possível haver uma espécie de crescimento compensatório durante as férias e na segunda metade do ano, quando a pandemia deve apresentar sinais de diminuição. Na oferta, pequenas e médias empresas talvez tenham que fechar as portas se tiverem fluxo de caixa insuficiente, o que deve gerar desafios futuros para fornecer produtos.

Portanto, é importante que os varejistas estejam alinhados com fornecedores no cronograma de produção e abastecimento, estreitando a parceria com uma visão de longo prazo. No longo prazo, as empresas devem criar mecanismos de prevenção de riscos, colaborando com diversos públicos de interesse e amenizando os problemas de estoques causados pelo surto.

Além disso, as empresas do setor podem fortalecer seus recursos internos em algumas áreas para: criar capacidades de marketing e inovar modelos de negócios; melhorar presença digital e acelerar a integração de diferentes formatos e categorias avançando em ofertas mais personalizadas.

Ainda nesse sentido, os varejistas devem: melhorar a cadeia de suprimentos e assegurar que os produtos tenham mais de um fornecedor; investir em digitalização, funcionalização, automação, inteligência artificial e sistemas de reposição automatizados; garantir que decisões tomadas durante a crise estejam integradas ao plano de negócios.

Os varejistas estão buscando respostas, mas as dimensões de longo prazo são críticas e estão sendo pouco observadas. A interrupção causada pela pandemia está mudando as estruturas organizacionais e os impactos podem ser ainda mais prejudiciais se as decisões tomadas agora não estiverem integradas com a visão de organizações conectadas.

Além disso, respostas imediatas com ações assertivas são vitais neste momento para a sobrevivência e a continuidade dos negócios.

(*) – É sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul. (**) – É sócio-diretor líder de Varejo da KPMG no Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap