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Como descarbonizar a eletricidade: uma abordagem digital

em Opinião
quarta-feira, 25 de maio de 2022

Dave Goddard (*)

A descarbonização não é mais negociável. É uma necessidade reduzir a quantidade de toxinas e gases de efeito estufa que nossas máquinas expelem na atmosfera.

O que falta é um acordo sobre como chegar lá. Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), 19% das emissões brasileiras eram oriundas do setor de energia há três anos. Nos Estados Unidos, somente a produção de eletricidade foi responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa há apenas dois anos, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental do país.

Cerca de 62% dessa eletricidade foi gerada pela queima de combustíveis fósseis, principalmente carvão e gás natural. Embora as emissões tenham caído em 2020 devido à pandemia, voltaram a subir em 2021. Conforme relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, é necessária a redução de 43% em emissões até 2030 em nível mundial. E há um caminho a seguir.

Os produtores de eletricidade podem aproveitar tecnologias com uma digitalização maior e estratégica para gerenciar ainda mais diversidade de energia, junto de insights para decisões baseadas em dados, o que melhora a resiliência.

Com novas plataformas de energia digitalizadas, é possível hospedar e interconectar dados de uma variedade de fontes de energia renovável, como eólica e solar, com maior flexibilidade e segurança, sabendo que as barreiras e redes permanecem confiáveis, resilientes e flexíveis.

Tal integração e gestão de diversas fontes de energia pode parecer assustadora, especialmente para aquelas que ainda não foram totalmente convertidas para energia verde. Por quê? Os recursos renováveis são, por natureza, intermitentes e difíceis de prever, reduzindo facilmente a inércia e desestabilizando o sistema. Para neutralizar e reagir a isso, precisamos de previsões meteorológicas altamente precisas e a capacidade de prever os níveis de produção.

A automação e a IA (Inteligência Artificial) podem ajudar a orquestrar o equilíbrio entre oferta e demanda. A hora de começar a pensar nesses movimentos é agora. Conforme observado no New Energy Outlook 2020 na BNEF, 56% da produção de energia poderá ser fornecida por energia solar e eólica em 2050. Isso exigirá investimentos de US$ 5,1 trilhões em energia solar, eólica e baterias, e US$ 14 trilhões na rede elétrica até 2050.

A digitalização é o grande auxílio de tudo isso. A IA pode filtrar rapidamente grande quantidade de dados no setor de energia para identificar padrões, calcular a melhor forma de responder às anomalias e iniciar a ação adequada. Ao reduzir as “incógnitas”, o ritmo da transição energética acelera.

Um estudo recente de BCG mostrou que, para uma organização com cerca de 80 mil pessoas, a combinação de automação de processos, transparência de dados de carbono, design circular de produtos ou serviços e modelos de negócios sustentáveis pode reduzir as emissões em notáveis 45% a 70%.

Acelerar a transição para um sistema de energia neutra em carbono exigirá a adaptação e adoção de políticas e regulamentos, para permitir que a tecnologia e novos modelos de negócios suportem sistemas de energia escaláveis, flexíveis e seguros.

(*) – É Head de Digitalização na Hitachi Energy (www.hitachivantara.com).