Silvio Ferraz de Campos (*)
Mais que inovação, o futuro exige eficiência, sustentabilidade e segurança para sustentar o crescimento digital
A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa de futuro para se tornar o motor de transformação na infraestrutura dos data centers brasileiros. Com um mercado cada vez mais dependente da digitalização e da análise de grandes volumes de dados, a adoção da IA nesses ambientes tem sido um divisor de águas. Já sabemos que ela promove maior automação, eficiência energética e otimização da capacidade de processamento.
Obviamente, toda essa transformação tem um preço e não ocorre sem desafios. O avanço impõe uma revisão profunda na forma como armazenamos, processamos e protegemos dados. A crescente demanda por modelos de IA cada vez mais sofisticados impõe pressões sobre as instalações de infraestrutura e exige novas soluções de refrigeração, segurança cibernética e gerenciamento de energia.
A demanda por processamento em tempo real, segurança de dados e eficiência energética cresce de forma acelerada e requer alternativas avançadas, inovadoras e sustentáveis. A adoção massiva da IA, combinada a tecnologias como machine learning, modelos de linguagem generativa e nuvem híbrida, exige data centers preparados para cargas de trabalho intensivas e de alta densidade. Isso tem impulsionado investimentos em novas arquiteturas, com destaque para a refrigeração líquida, que melhora o desempenho térmico e reduz drasticamente o consumo energético.
Assim como no restante do mundo, a América do Sul, liderada pelo Brasil, vive um momento de forte expansão na infraestrutura digital, com previsão de crescimento de 67% na capacidade instalada de data centers nos próximos anos, segundo a JLL (Jones Lang LaSalle). Nosso país, em sua posição como protagonista na construção de uma infraestrutura digital resiliente e inovadora, já concentra mais de 70% dos investimentos projetados, impulsionado pelo avanço da IA, pelos serviços em nuvem, pela demanda por soberania digital e pela necessidade de maior controle sobre dados sensíveis.
A transição não é apenas técnica, mas também estratégica, refletida na substituição dos tradicionais sistemas de resfriamento a ar por tecnologias de refrigeração líquida, uma vez, que o consumo energético dos data centers tende a crescer cerca de 12% até 2030. Soluções como o resfriamento líquido são cruciais para reduzir o PUE (Eficiência no Uso de Energia) e limitar o impacto ambiental de toda essa expansão.
Outro fator relevante para os data centers nacionais é a adoção de arquiteturas hiperconvergentes e ambientes multicloud, que equilibram flexibilidade e controle, especialmente diante das crescentes exigências regulatórias e da necessidade de repatriação de dados. Esse modelo não apenas simplifica a complexidade dos ambientes de TI corporativos, mas também viabiliza a escalabilidade das aplicações de maneira mais segura, eficiente e econômica.
Por isso, cresce também a necessidade do uso de ferramentas de análise preditiva. Proporcionadas pela inteligência artificial, essas soluções não só otimizam o consumo de energia, mas também ajustam a alocação de recursos em tempo real e identificam as falhas antes que estas ocorram. O uso de IA também fortalece a segurança, com sistemas capazes de detectar ameaças cibernéticas emergentes e reagir com agilidade.
É inegável que o futuro dos data centers em nosso país depende da inteligência artificial. Em outras palavras, o avanço da IA é um caminho sem volta. Cabe aos gestores e líderes de tecnologia garantir que esse progresso seja acompanhado por investimentos consistentes em infraestrutura, que combinem inovação com responsabilidade. Mais do que desempenho, a evolução dos data centers demanda um equilíbrio entre tecnologia e governança, para que a implantação da inteligência artificial acompanhe investimentos sustentáveis, eficiência energética e decisões estratégicas para moldar o futuro digital.
Nosso papel é garantir que essa jornada seja feita com responsabilidade, eficiência e compromisso com o desenvolvimento tecnológico. Com inovação local e parcerias globais, o Brasil tem a oportunidade de se consolidar com uma infraestrutura digital robusta, capaz de impulsionar a competitividade econômica e atender às demandas crescentes da nora era da informação.
(*) CEO da Positivo Servers & Solutions.
