As crises, uma nova luz

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Os países atrasados não podem mais financiar seus escandalosos déficits com emissão de dinheiro; têm de tomar no mercado a juros e arcar com o ônus.

O dinheiro deveria se expandir com a produção, lucro e consumo pelo justo valor, tendo-se como prioridade a busca pela melhora das condições gerais de vida, e crescer, acompanhando o aumento da população. Com logro e ganância, surgiram as bolhas e as consequentes elevações de preços, gerando ganhos com a especulação astuciosa na qual os incautos caem, e ao final, caso haja perdas, estas são repassadas à sociedade.

Com os fluxos especulativos, o câmbio perdeu a sustentabilidade, variando de acordo como as manipulações. Estados Unidos, Europa, Inglaterra e Japão podem emitir à vontade, para resolver os problemas econômicos por eles mesmos criados. Mas emitir não é brincadeira; quem fizer feitiçaria com o dinheiro vai criar problemas. A China também quer participar desse jogo. Guerra das moedas pelo poder? Guerra cambial pelos mercados? Aonde vai parar esse desarranjo cambial global?

O mundo está na corda bamba das finanças. Os países dependentes vão ficando cada vez mais fracos. Faltam estadistas sérios que entendam o funcionamento da economia, já que os atuais se julgam reis para fazer as besteiras que quiserem, jogando as consequências sobre a população; além disso, está ocorrendo a desvalorização do ser humano, deixando-se de oferecer o adequado preparo às novas gerações para um viver de paz e progresso. Permitindo que sejam contaminadas nos modernos templos da decadência, estamos destruindo a esperança nas novas gerações.

Os poderosos se acertam em seus mesquinhos objetivos visando o poder que conseguem com o acúmulo de riqueza, pouco se importando com o futuro da humanidade e do planeta. Não querem enxergar que a vida é uma breve passagem para fortalecer o eterno eu interior, e que o corpo perecível não é o eu propriamente, e tudo vai ser deixado por terra.

Com os efeitos da crise financeira e a austeridade, e com a redução do ritmo econômico da China, que estava voltada inteiramente para atender o mercado externo e acumular dólares, tudo está decaindo. Os países se deleitavam com os preços reduzidos dos produtos importados, sem atentar para as consequências. Há uma superoferta, a economia ameaça desmoronar, o que fazer?

O caos se aproxima. Com as crises no mundo do dinheiro, a esperança de melhor futuro vai se distanciando. Precisamos de uma nova convergência por algo mais elevado que proporcione paz de espírito e felicidade. Nos séculos passados, percebia-se que a havia mais humildade e maior respeito pelo Criador. Com o passar do tempo, essa fé se foi esvanecendo, pois faltava a base real.

A robotização do ser humano está acabando com a vida interior. A mente está sendo invadida e programada imperceptivelmente. A intuição poderia lançar o alerta, mas ficou enfraquecida e travada lá no fundo, e não consegue enviar suas mensagens para o cérebro invadido e dominado.

Com o corre-corre da luta pela sobrevivência, a crescente pressão mental, a falta de consideração geral, e a invasão do cérebro pela comunicação de massa, eivada de conflitos, as pessoas estão exaustas pelo cansaço e pela aspereza, e começam a buscar a paz e por algo que indique o sentido espiritual da vida. Espera-se que depois de tantos séculos de tentativas infrutíferas, a humanidade se empenhe seriamente na busca da luz da verdade como a nova prioridade da vida.

(*) – Graduado pela FEA/USP, realiza palestras sobre qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). Autor de: Conversando com o homem sábio; Nola – o manuscrito que abalou o mundo; O segredo de Darwin; 2012…e depois?; Desenvolvimento Humano; e O Homem Sábio e os Jovens ([email protected]).

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