Gerenciando riscos na retomada dos negócios

Luis Navarro (*)

A Covid-19, com toda a sua imprevisibilidade e enorme impacto global, exigiu reações imediatas das empresas. Como houve uma ruptura significativa das operações, os líderes executivos precisaram buscar rapidamente ações de contingência para manter os negócios em funcionamento durante a quarentena. Um dos aprendizados é que o desafio de retomada dos negócios será tão ou mais complexo que a gestão da crise em si.

Entre as distintas necessidades de aprimoramento das empresas, neste momento, está a gestão de riscos, que passou a ser tão importante quanto os objetivos estratégicos. É necessário que as organizações se preparem, pois cada vez mais haverá gatilhos como os provocados pela pandemia. Nesse sentido, é relevante olhar não apenas para os riscos propriamente do negócio, mas para os demais, como financeiros e de saúde, entre outros.

Entre vários recursos disponíveis no mercado, a tecnologia tem sido uma importante aliada desse processo e será cada vez mais relevante no caminho da retomada das atividades. Assim sendo, este momento deve deixar um importante legado para as empresas. Os projetos previstos, de forma geral, para serem executados em alguns anos, como a digitalização do backoffice, ampliação de meios digitais de comunicação com clientes, entre outros, passaram a ser implementados em dois ou três meses.

O planejamento para a retomada das atividades é fundamental, e a tecnologia deve ter papel importante nesse processo, especialmente na gestão do ambiente e das pessoas. Na prática, como parte da estratégia de retomada dos negócios, é imprescindível que as empresas façam uso de uma ferramenta de diagnóstico dos riscos, de preferência abrangendo os três pilares fundamentais de uma empresa (pessoas, operações e caixa), com olhar específico em algumas vertentes, como liquidez, lucratividade, tecnologia, saúde, segurança e meio ambiente.

Com um bom diagnóstico, os líderes empresariais podem orientar, de maneira mais simples e rápida, planos de ação para a retomada, direcionando o foco ideal para o melhor fortalecimento das operações e a geração de valor agregado. Outra opção complementar aos líderes empresariais está na utilização de ferramentas digitais direcionadas para a mensuração de controles, índices e cálculos baseados em metodologia com o mapeamento de fatores de riscos do setor e de cada empresa específica.

O resultado prático, totalmente aderente ao cenário atual, é a criação de uma matriz de riscos inerentes e residuais, a formulação de respostas e o desenvolvimento de planos de ações para a mitigação dos mesmos, gerando decisões mais ágeis, relevantes e assertivas.
Nesse momento em que as empresas colocam em suas agendas, cada vez mais, a discussão da retomada dos negócios, o uso inteligente da tecnologia é essencial.

O retorno, que deve ser gradual, deve ser pensado especialmente nos pilares de pessoas, cadeia de suprimentos e liquidez. Uma das lições é a importância de não menosprezar os riscos, até mesmo os mais remotos, que podem se materializar, causando grandes impactos. Somente assim as empresas poderão mitigar riscos, enfrentar os novos desafios, criar alternativas práticas e eficientes e gerar negócios.

(*) – É líder de Gestão de Riscos e Crises da KPMG no Brasil.

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