438 views 3 mins

Geração Z desafia o varejo da beleza: “é preciso repensar estratégias”, diz especialista

em Negócios
segunda-feira, 22 de setembro de 2025

A rotatividade entre trabalhadores da Geração Z é uma realidade. De acordo com levantamento da LCA Consultores com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 36% dos profissionais com carteira assinada trocaram de emprego nos últimos 12 meses. Na faixa de 18 a 24 anos, a taxa chega a 41%. Como fica então o varejo de beleza neste cenário?

“O cliente de beleza cria um vínculo de confiança com o profissional. Quando esse profissional vai embora, muitas vezes o cliente vai junto. Isso afeta o faturamento e dificulta a fidelização”, afirma Bruna Pullig, fundadora da Ojo Consultoria em Recursos Humanos para o universo da beleza.

Segundo pesquisa da Gateway Commercial Finance, 58% dos trabalhadores da Geração Z aceitam vagas sem intenção de permanência e 47% planejam deixar o cargo em menos de um ano. O estudo ainda revela que quase um terço já abandonou um emprego sem aviso prévio. No varejo da beleza, setor que depende fortemente da continuidade no atendimento, esse cenário gera impacto direto.

Brasil é destaque no mercado da beleza e precisa enfrentar a alta rotatividade – O Brasil ocupa posição de destaque no mercado global de beleza. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o setor movimentou US$ 27 bilhões em 2024 e gerou 6,3 milhões de empregos, um crescimento de 3,6% em relação a 2023. Apesar disso, a rotatividade é um desafio histórico que se intensificou após a pandemia. Segundo pesquisa da Associação Brasileira dos Salões de Beleza (ABSB), 52% dos profissionais migraram para o atendimento em domicílio, enquanto 66% dos empreendedores relataram redução nas equipes.

Para Bruna Pullig, a Geração Z está trazendo novas exigências para o mundo do trabalho. “Os jovens buscam flexibilidade, propósito e feedback constante. Se a empresa não oferece isso, eles simplesmente vão embora”, explica.

Segundo ela, a saída está em investir na capacitação da geração Y, que hoje ocupa a maior parte das posições de liderança no setor. “É essa geração que precisa atuar como ponte entre a experiência da geração X, que está saindo, e as expectativas da geração Z, que está chegando. Treinar líderes para criar ambientes mais atrativos e dar espaço para o crescimento dos jovens é essencial”, defende.

Bruna acrescenta que a mudança exige também repensar o ambiente de trabalho no varejo de beleza. “É preciso encantar e desenvolver o colaborador para que ele se alinhe 100% à empresa empregadora. Quem entender isso vai sair na frente nesse mercado”, conclui.