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Por que o mercado de eventos precisa de transparência

em Mercado
segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Com 94% dos fornecedores formados por micro e pequenas empresas, o estudo aponta até oito camadas de intermediação em eventos de médio porte. A Celebrar propõe rastreabilidade e automação como saída para equilibrar a cadeia

Um estudo conduzido por Camila Florentino, fundadora da startup Celebrar, identificou que 94% dos fornecedores do setor de eventos são micro e pequenas empresas e que um único evento de médio porte pode envolver até oito camadas de intermediação antes que o pagamento chegue ao profissional final.

O dado ainda expõe um gargalo estrutural, trata-se da pulverização da cadeia de suprimentos que, na prática, reduz margens, fragiliza pequenos empreendedores e cria distorções entre o valor contratado e o efetivamente recebido.

Camila lembra um caso emblemático que inspirou a criação da sua empresa, um trabalhador que recebia apenas R$50 por um serviço vendido a R$350. “Essa assimetria é o retrato da cadeia invisível dos eventos. Há uma distância imensa entre quem paga e quem executa o trabalho, e a tecnologia é o único caminho possível para reequilibrar essa relação”, afirma.

Fundada em 2017, a marca nasceu justamente para atacar essa ineficiência. A plataforma opera como um marketplace B2B que conecta mais de 7 mil fornecedores a grandes empresas, digitalizando desde o orçamento até o pagamento. Em 2025, a startup atingiu 90% de automação nos repasses via integração direta com a API de Pix de um grande banco, o que garante rastreabilidade e liquidação automática no CNPJ do fornecedor.

Segundo a fundadora, o impacto vai além da eficiência operacional. “Quando o pagamento acontece de forma transparente e rastreável, o patrocinador e o contratante têm segurança sobre para onde o dinheiro está indo, e o fornecedor passa a ter poder de negociação real. Isso é justiça financeira aplicada à cadeia de eventos”, explica.

Embora os grandes eventos estejam cada vez mais tecnológicos com experiências imersivas, ativações digitais e métricas em tempo real, a engrenagem que sustenta essa indústria ainda opera com processos manuais e pouco conectados. Planilhas, orçamentos dispersos e repasses sem rastreabilidade compõem um sistema que continua a penalizar quem está na ponta da execução. Para especialistas, o desafio agora não é mais inovar no palco, mas nos bastidores, onde a falta de integração e transparência ainda freia o avanço de um setor bilionário.

A rastreabilidade financeira trouxe luz ao que antes era invisível. Com pagamentos automatizados e registros digitais, a Celebrar garantiu que o dinheiro chegasse com transparência a quem realiza o trabalho. O modelo já movimentou mais de R$25 milhões em repasses diretos a micro e pequenos empreendedores, tornando a cadeia mais justa e alinhada aos princípios de inclusão produtiva defendidos pela ONU.

Para Camila Florentino, a transformação do setor passa por transparência e equidade. “A cadeia de eventos é uma engenharia complexa, com centenas de profissionais invisíveis. Torná-la justa é mais do que eficiência; é reconhecer o valor de cada entrega. A tecnologia só faz sentido quando humaniza o processo.”