
Especialista ensina estratégias práticas para organizar as finanças e seguir o novo ano com mais tranquilidade.
O início de um novo ano é o momento ideal para reavaliar a vida financeira. Para muitos brasileiros, o planejamento de longo prazo soa complexo e, muitas vezes, punitivo. No entanto, a organização pode ser prática, acessível e, acima de tudo, sustentável.
De acordo com Carla Eunice Gomes Corrêa e Nathalia Caroline Tago, professoras do curso de Ciências Contábeis da UNIASSELVI, o caminho para evitar o endividamento em 2026 começa com a clareza total sobre o cenário atual. Por isso, ela detalha de maneira simples como se planejar.
O primeiro passo, segundo as especialistas, é entender para onde o dinheiro está indo. “É como tirar uma foto nítida do momento financeiro: sem essa imagem, qualquer tentativa de planejamento é como caminhar no escuro,” explica Corrêa.
Após a análise inicial, a recomendação é classificar os gastos em três grupos: essenciais (moradia, alimentação), importantes (saúde, estudos) e flexíveis (lazer, delivery). A partir dessa clareza, o Método 50-30-20 serve como norte: 50% para gastos essenciais; 30% para o que traz qualidade de vida (flexíveis); 20% para metas financeiras (reserva, dívidas, investimentos).
A professora reforça que o modelo não deve ser uma regra rígida, mas um guia e que o segredo da sustentabilidade está no acompanhamento semanal. “Acompanhar os gastos semanalmente, dedicando apenas 10 minutos para registrar tudo, é muito mais eficaz do que esperar o fim do mês, quando as surpresas, em geral, não são boas” afirma. Outro pilar fundamental é criar, desde já, um fundo de imprevistos, mesmo que com valores simbólicos (R$ 20,00 ou R$ 30,00), para blindar o orçamento contra emergências.
Orçamento leve: Permissão consciente e as “caixinhas” – Muitas pessoas desistem do planejamento por associá-lo à proibição. Nathalia Tago desmistifica essa visão, destacando que o objetivo do planejamento é criar permissão consciente para usar o dinheiro sem culpa.
Uma estratégia comportamental é a das “caixinhas”: separar o dinheiro em categorias como lazer, contas, futuro e sonhos. Quando o valor é reservado para um propósito definido, o gasto se torna intencional e a sensação de descontrole diminui.
A docente reforça que, para garantir a leveza, a dica é trabalhar com a constância e não com cortes drásticos. “Guardar 5% da renda já é muito mais sustentável do que tentar guardar 20% e desistir no segundo mês. É melhor construir constância do que perseguir uma meta impossível,” pontua. A especialista reitera que o orçamento não é prisão e que ajustes fazem parte da maturidade financeira.
“Parcelamento por conta própria” – O primeiro trimestre de cada ano é historicamente desafiador devido ao acúmulo de despesas anuais, como IPVA, IPTU e matrícula escolar, após as despesas de Natal e férias. Por isso, a estratégia mais eficiente é a antecipação.
Carla Corrêa sugere o “parcelamento por conta própria”. Por exemplo, se o IPVA custa R$ 1.200,00, reservar R$ 100,00 por mês ao longo do ano garante o valor completo em janeiro do ano seguinte, sem apertos. Esse raciocínio vale para todas as despesas previsíveis.
“Outra tática inteligente é destinar parte do 13º salário para adiantar alguns meses dessa reserva anual. Assim, o dinheiro extra não se perde no consumo imediato” sugere Corrêa, que também recomenda automatizar a transferência mensal para essa poupança, reduzindo a necessidade de força de vontade.
Tecnologia como facilitadora e renda extra realista – Para quem não tem consultor, a tecnologia oferece diversas soluções gratuitas. Aplicativos como Mobills, Organizze e Minhas Economias possuem versões objetivas para começar. O Google Sheets também é uma alternativa flexível. Além disso, a maioria dos bancos já integra ferramentas de controle, com gráficos e categorizações automáticas, tornando o hábito financeiro “quase invisível”.
Além disso, quando o limite do corte de gastos é atingido, o foco deve ser o aumento da renda. Nathalia Tago incentiva a geração de renda extra a partir de habilidades já existentes — cozinhar, costurar, dar aulas, cuidar de pets — ou de recursos parados, como ferramentas ou uma bicicleta sem uso.
De acordo com a professora, a ordem de prioridade para usar essa renda adicional deve ser: quitar dívidas caras, criar a reserva de emergência e começar a investir em opções seguras. Separar uma pequena parte para lazer também é fundamental para manter a motivação e evitar que a renda extra se torne um sacrifício sem fim.



