Regulação e segurança se tornam essenciais à medida que os sistemas de pagamento avançam
Embora o lançamento oficial do Pix parcelado, função que possibilita o parcelamento de compras sem a necessidade de cartão de crédito, pelo Banco Central (BC) estivesse prevista para setembro, a instituição optou por adiar sua implementação após alertas de segurança e endividamento. A divulgação da norma com as regras da ferramenta está prevista para a última semana de outubro.
Para João Fraga, CEO da Paag, o adiamento reforça a importância de investimentos constantes em segurança em sistemas amplamente utilizados, como o caso do Pix. “A segurança nas transações financeiras é um componente fundamental para o desenvolvimento de um sistema de pagamentos confiável e eficiente, especialmente com o crescimento do uso de plataformas como o Pix. Diante disso, é inevitável o compromisso de investir em tecnologias de proteção que criem soluções e monitorem a conformidade regulatória de forma eficaz”.
Além de permitir mais tempo para o aprimoramento da segurança, a decisão do adiamento também visa avaliar com mais cautela as regras do sistema de crédito instantâneo. Isso se deve ao risco de endividamento atrelado à contratação de empréstimos via Pix, o que exige um planejamento mais rigoroso por parte das instituições financeiras, bem como o desenvolvimento de campanhas de educação financeira voltadas à população.
A pesquisa “Meios de Pagamento 2025”, realizada pela Opinion Box, reforça essa preocupação. Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmaram que o Pix parcelado os ajudaria a comprar mais quando estão sem limite no cartão, enquanto 29% se disseram contra. Em relação aos meios de pagamento mais utilizados, o cartão de crédito ainda lidera nas lojas físicas (63%), seguido pelo débito (14%) e, depois, pelo Pix (11%). Já nas compras online, o Pix aparece como a segunda forma de pagamento mais usada (16%), atrás apenas do cartão de crédito (72%). Esses dados indicam que, embora o Pix esteja em ascensão, o parcelamento ainda é um diferencial competitivo do cartão.
Esse cenário também levanta uma discussão essencial sobre inclusão financeira. Estima-se que cerca de 60 milhões de brasileiros não possuem acesso a um cartão de crédito. Portanto, ao mesmo tempo em que o Pix parcelado pode ampliar o acesso ao consumo, é fundamental que sua implementação venha acompanhada de serviços aprimorados, que atendam às reais necessidades da população sem comprometer a proteção ao consumidor e a responsabilidade financeira.
“À medida que novas formas de comprar surgem, é preciso que as plataformas se ajustem para contornar barreiras como a necessidade de novas regulações, infraestrutura tecnológica e educação financeira. A aceitação dependerá de uma comunicação clara e que passe segurança, mas o potencial para modificar a forma que realizamos transações existe”, comenta o especialista.
Segundo o BC, a primeira fase da regulamentação terá foco em definir o produto, buscando melhorar a experiência do usuário. Entre as principais preocupações, está o receio de que o Pix perca seu caráter imediato e livre de taxas, tendo em vista que, ao adotar transações de crédito, a ferramenta passa a estar sujeita a juros e outras obrigações financeiras.
Quanto ao detalhamento dos processos, o Banco Central pretende comunicar às instituições financeiras apenas no início de dezembro, definindo padrões na contratação das operações de crédito e no pagamento das parcelas. Entidades que ofertarem o serviço terão um prazo para se adequar às novas normas após sua divulgação.


