Obrigatoriedade do uso de máscaras é oportunidade para pequenos negócios

Desde o início da pandemia do Coronavírus, a procura por máscaras tem sido grande em todo o Brasil. Por conta da necessidade de manter um distanciamento social e do crescimento no número de contaminados, ao menos onze estados já determinaram a necessidade do uso de máscaras. O consultor do Sebrae/PR, Tiago Correia da Cunha, afirma que a pandemia criou grandes problemas para a maioria dos negócios de diferentes setores econômicos, entre eles o da confecção.

Muitas empresas do segmento sentiram o impacto das medidas de isolamento social, diminuíram a produção e outras chegaram a parar temporariamente as atividades. “Em meio à crise, as empresas demonstraram capacidade de reinvenção e inovação nos processos”, afirma, ao lembrar que a obrigatoriedade do uso de máscaras abriu novas oportunidades não apenas para empresas de confecção, mas também de outras áreas, que aproveitaram o momento para se adequar.

O consultor ressalta, porém, a importância de as empresas se estruturarem para atender todos os requisitos de segurança estabelecidos pelo Ministério da Saúde e Anvisa. Para se adequarem ao momento, empreendedores da área de confecção aproveitaram, em muitos casos, a própria matéria-prima. Esse foi o caso da artesã Jociane Boratto Monteiro, de Ponta Grossa, no Paraná, que começou a produzir as máscaras em fevereiro, estimulada por uma cliente que atua na área da saúde.

A empresária viu as vendas de seus produtos como necessaire, porta fraldas, chinelos, panos de prato, entre outros, despencarem em fevereiro e passou a produzir as máscaras utilizando tecidos do estoque. Para isso, buscou modelos na internet e divulgou as máscaras nas redes sociais. “Recebi um grande número de pedidos e nas redes sociais tive mais de 13 mil visualizações. Até o momento, já foram quase 800 máscaras comercializadas, com pedidos até de outros estados. Outras quatro costureiras me ajudam para dar conta da demanda”, comentou.

A crise afetou e provocou mudanças em pequenas indústrias de confecções como é o caso da Camisetas Paraná, de Curitiba. A empresa especializada na produção de camisetas e brindes personalizados teve uma grande queda em seu faturamento e reduziu sua equipe em 50%. Para minimizar os prejuízos, a fábrica utilizou as matérias-primas existentes como elásticos e tecidos e começou a produzir máscaras. Desde o final de março, a empresa já produziu mais de 20 mil máscaras para dar conta do alto número de pedidos pelos itens.

Profissionais de outras áreas e sem experiência na produção de confecções também tornaram a produção de máscaras um negócio do momento. Em Pato Branco, as amigas e vizinhas Bárbara Gaio, cerimonialista, e Elisa Ortigara, diarista, começaram a produzir, com a ajuda de uma máquina de costura antiga, máscaras para consumo próprio. “Já trabalhei em frigoríficos e sei da importância do uso de máscaras e equipamentos de proteção”, observa Bárbara. Desde o dia 19 de março, quando a produção começou, foram vendidas mais de 500 máscaras com duas ou três camadas, com rendas ou cristais. Com o lucro obtido, elas puderam adquirir uma máquina de costura nova e passaram a produzir outros modelos, como patchwork e confecções para bebês (AI/Sebrae-PR).

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