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Impacto direto é limitado

em Mercado
segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Mudanças exigem adaptação estratégica e foco em oportunidades que seguem ativas, diz especialista

O início de agosto foi marcado pela imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A sobretaxa de 50% sobre uma extensa lista de itens, de café a cimento, acendeu o alerta em setores da economia e gerou preocupação no mercado. Conhecida como “tarifaço de Trump”, a medida afeta diretamente apenas 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, referente à participação das exportações para os EUA, mas tem provocado um sentimento de instabilidade que vai além da proporção real do impacto.

Para Flavia Mardegan, especialista em vendas, é preciso cautela para evitar pânico desnecessário. “O que deve ser compreendido é que estamos falando de 1,7% do PIB. Ou seja, 98,3% do consumo brasileiro segue em outras direções, seja para o mercado interno, seja para outros destinos internacionais. A mensagem principal é que sim, a mudança exige atenção e adequação de estratégias, mas está longe de ser o fim do mundo”, afirma.

Segundo Mardegan, o momento pede resiliência, flexibilidade e foco em soluções. “Empresas que exportavam para os EUA precisam buscar alternativas como novos mercados, novos canais e até entender como adaptar esses produtos ao mercado interno. O vendedor que está na ponta tem que estar preparado para explicar isso ao consumidor, reconstruir confiança e, principalmente, manter a calma.”

A especialista destaca que parte da confusão vem da percepção equivocada de que o aumento da tarifa afetaria diretamente os preços no varejo. “Não é verdade que o produto brasileiro será taxado em 50% aqui dentro. O aumento tarifário se aplica apenas às exportações que representam essa pequena fração da nossa economia. É um erro pensar que haverá repasse generalizado ao consumidor final. O que muda é a estratégia de quem vende para fora, não a base de consumo do país.”

No varejo, o principal desafio está em lidar com a instabilidade emocional do consumidor, que reage rapidamente a qualquer sinal de crise. “Historicamente, o brasileiro desenvolveu um instinto de sobrevivência muito apurado. Isso faz com que recuos em decisões de compra aconteçam com frequência em momentos como este. Por isso, é fundamental que o profissional de vendas esteja preparado para lidar com essa reatividade, oferecendo informação clara e posicionamento firme.”

Flavia acredita que o Brasil tem plena capacidade de se adaptar ao novo cenário. “Somos um país que sabe reagir. O segredo agora é pensar em alternativas: reposicionar produtos, negociar com outros mercados, firmar parcerias com distribuidores internacionais. Ganha quem se movimenta rápido e com inteligência.”

Para os profissionais de vendas, fica o recado: “O mundo muda o tempo todo. Quem se antecipa, se adapta e encontra novos caminhos sai na frente. Em momentos de instabilidade, o conhecimento e a flexibilidade valem tanto quanto a técnica”, conclui.

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