Os 10 Mandamentos da Open Innovation com Startups

Bruno Rondani (*)

Decidi criar esta coluna direcionada especialmente para empresas e executivos que estão começando a se relacionar com startups em processos de open innovation, ou mesmo para os que já têm alguma bagagem no tema e querem entender como evoluir seus relacionamentos.

São os 10 Mandamentos da Open Innovation com Startups (e um bônus!), que toda empresa precisa saber e que são fruto da nossa experiência de mais de 13 anos trabalhando com o assunto no Brasil. Para fins de organização, podemos agrupar essas máximas em três grandes pilares: Executivos Capacitados; Programas e Processos Estruturados e Visíveis; e Valor para o Ecossistema.

Executivos Capacitados:

1) Conhecer pelo menos 100 startups do seu setor – Para trabalhar bem com open innovation, é importante conhecer o maior número possível de startups relacionadas à sua área de atuação. Isso ajuda você a ter um panorama geral do que elas têm trazido de novidade e, é claro, manter-se atualizado(a).

2) Interagir e contribuir com um conjunto de pelo menos 10 startups – O próximo passo é avaliar e interagir com, ao menos, 10 startups. Com isso, você entra em contato com pessoas que estão empreendendo e ainda contribui com elas a partir da sua própria experiência de mercado.

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Imagem: SasinParaksa_CANVA

3) Contribuir em profundidade com pelo menos uma startup – No terceiro nível, recomendamos escolher uma dessas startups para se aprofundar no relacionamento e contribuição, quase que em uma relação de mentoria. Isso pode gerar uma grande experiência profissional, além do reconhecimento, por parte da startup, pela sua contribuição em sua trajetória de sucesso.

4) Saber identificar dores que tenham aderência com soluções de startups – Com uma boa visão do ecossistema, o executivo deve estar sempre de radar ligado para identificar possíveis desafios da empresa ou do setor que possam se beneficiar com o envolvimento e a parceria de startups.

5) Definir objetivos claros do relacionamento com startups – A empresa deve ter muito claro o que busca no relacionamento com startups. Para esclarecer, alguns exemplos de objetivos mais comuns são: eficiência operacional, parcerias de negócios e desenvolvimento corporativo. No caso de projeto-piloto, também é importante definir e deixar claro quais são as metas, para um alinhamento claro de expectativas entre as partes.

6) Estruturar programas para atingir esses objetivos – Um programa de open innovation bem estruturado costuma, entre outras coisas, ter processos para definição de desafios/oportunidades; estabelecer canais de relacionamento com startups; definir seus critérios próprios de avaliação; definir modalidades de relacionamento, com os instrumentos necessários previamente desenvolvidos (ex: modelos de business case e minutas de contratos); e definir previamente seu orçamento para oportunidades.

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7) Dar visibilidade ao programa – Uma vez que a empresa tenha um programa estruturado, é importante divulgar adequadamente o projeto, as oportunidades, os processos e os resultados atingidos, interna e externamente. Também é considerável criar mecanismos de gestão de conhecimento e aprendizados dessas iniciativas, a fim de realimentar e aprender com o processo.

Valor para o Ecossistema:

Para esse bloco final, quero destacar a importância de que esse processo de buscar resultados, a partir da interação com ecossistema de inovação, também nutre o próprio ecossistema, gerando startups e soluções cada vez melhores.

Em outras palavras, a empresa deve oferecer benefícios para todos que participam dos processos seletivos em busca de parceiros, e não apenas para os escolhidos. Algumas formas como isso pode ser feito:

8) Oferecer informação sobre dores e oportunidades do mercado para orientar empreendedores;

9) Oferecer conteúdo, acesso a conhecimento e outros recursos que beneficiem as startups;

10) Compartilhar aprendizados sobre projetos que dão certo e que dão errado, para aprimoramento dos negócios.

Por fim, ainda relacionado ao pilar de Valor para o Ecossistema, deixo aqui um mandamento extra, mas não menos importante, e que nunca deve ser esquecido: Bônus: Respeitar o tempo que a startup dedica a você!

Ainda que a resposta de uma contratação, parceria ou investimento seja negativa, os executivos envolvidos devem sempre se perguntar: “O tempo que a startup dedicou ao meu processo foi compensado com os benefícios que a minha empresa gerou a ela?”.

Isso é algo fundamental para que as relações entre startups e grandes empresas sejam sempre saudáveis, frutíferas e benéficas para ambas as partes – exatamente o que o nosso ecossistema de inovação precisa para continuar se fortalecendo cada vez mais.

(*) – É fundador e CEO da 100 Open Startups, principal plataforma de inovação aberta do país (www.openstartups.net).

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