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Resistir à mudança é condenar sua empresa ao fracasso

em Mais
sexta-feira, 06 de junho de 2025

Éric Machado (*)

A história recente do mundo dos negócios está repleta de empresas que, durante anos, foram sinônimos de sucesso, inovação e liderança. Gigantes que pareciam inabaláveis, com marcas sólidas e posições dominantes em seus mercados. No entanto, essas mesmas empresas acabaram desmoronando, não por conta de crises externas ou avanços tecnológicos inesperados, mas por não saberem quando e como se adaptar. Kodak, Blockbuster, Nokia, BlackBerry: todas dominaram seus setores, ditaram tendências e acumularam lucros bilionários. Porém, diante das mudanças no cenário, mantiveram-se presas a fórmulas antigas, confiantes de que o passado garantiria o futuro, um erro que custou caro.

A Kodak talvez seja o exemplo mais emblemático. Nos anos 1970, dominava 90% do mercado de filmes fotográficos e 85% das vendas de câmeras. Em 1975, criou a primeira câmera digital, mas optou por ignorá-la para proteger seu modelo baseado na venda de filmes. Enquanto concorrentes apostavam no digital, os smartphones chegaram e, em 2012, a Kodak declarou falência. A Blockbuster cometeu erro semelhante. Em 2000, recusou comprar a Netflix por US$ 50 milhões, apostando que as locações físicas bastariam. Hoje, resta uma única loja da marca no mundo, enquanto a Netflix vale mais de US$ 150 bilhões. A Nokia reforça esse padrão. Em 2007, tinha metade do mercado global de smartphones, mas subestimou a revolução trazida pelo iPhone e pelo Android. Em poucos anos, perdeu relevância e, em 2013, vendeu sua divisão de celulares para a Microsoft. O problema não foi a tecnologia, foi acreditar que a liderança de ontem garantiria o sucesso de amanhã.

O erro dessas empresas não foi técnico, foi cultural. Segundo a Harvard Business Review, 70% das iniciativas de transformação digital falham, e o principal motivo é a resistência interna, não as limitações tecnológicas. Embora 87% das empresas afirmem que a transformação digital é prioridade, apenas 40% se consideram realmente preparadas, segundo a McKinsey & Company. Isso revela um abismo claro entre o discurso e a prática. E enquanto algumas empresas resistem, o mercado acelera. Dados do IDC mostram que os investimentos globais em transformação digital ultrapassaram US$ 2,8 trilhões em 2024, com previsão de crescimento contínuo até 2027. Além disso, empresas líderes digitais têm cinco vezes mais chance de crescer em receita e margem operacional do que suas concorrentes atrasadas, segundo o Boston Consulting Group (BCG).

No mercado atual, não há espaço para pausa, nem para zonas de conforto. A dinâmica é implacável: ou você se adapta em tempo real, ou se torna irrelevante. O futuro não será gentil com empresas que se acomodam nos resultados de ontem, ele será conquistado por aquelas que têm coragem de questionar suas próprias fórmulas de sucesso, de arriscar, de mudar antes que a necessidade se torne urgente. O maior risco, hoje, não está na concorrência externa, mas na cegueira estratégica interna. Não são os rivais que derrubam impérios empresariais, é a incapacidade de enxergar que o que trouxe até aqui talvez não seja o que levará adiante.

(*) CEO da Revna Tecnologia.