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Aproximação com empresas é necessária para potencializar a capacitação em TI

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terça-feira, 11 de julho de 2023

Edvar Pera Jr. (*)

O setor de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil enfrenta uma situação curiosa, especialmente quando posta em perspectiva junto aos problemas de desemprego que o país infelizmente ainda enfrenta: ao contrário de outras áreas, as vagas estão sobrando e as empresas têm dificuldade para contratação, mas não existem profissionais suficientemente qualificados para preenchê-las. Isso significa que o setor é dos mais aquecidos, e bons talentos dificilmente ficam muito tempo à procura de inserção no mercado.

Dados da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) revelam que, até 2025, serão demandados 797 mil profissionais de Tecnologia no Brasil – o que, considerando o número de pessoas que formamos hoje, representa um gap de 530 mil vagas não preenchidas. Idealmente, deveríamos formar 70 mil novos talentos por ano (em contraste com os 46 mil atualmente).

A superação desse desafio envolve diversos processos, desde a formação, que é realizada pelas IEs – Instituições de Ensino regulares, de nível técnico ou superior, até a capacitação, que compreende o aperfeiçoamento das habilidades técnicas e comportamentais em sintonia com as necessidades das empresas que compõem o mercado de TI. Os novos talentos devem entender quais são as oportunidades e desafios enfrentados pelas principais empresas do ramo e, através do processo de capacitação, desenvolver competências e habilidades que, postas a serviço das empresas, permitirão vencer os desafios e aproveitar as oportunidades de modo a acelerar o crescimento das empresas e, em consequência, da sua maturidade técnica e carreira profissional.

Isso pode ser feito de várias maneiras, mas talvez a mais profícua seja através da conexão entre as companhias do setor e as instituições de ensino, fomentando a interação e o intercâmbio de conhecimentos, através de ações como: patrocínio a cursos, oportunidades de residência, apoio na formulação de material didático, palestras sobre o mercado e o ambiente de trabalho nas empresas, entre outras. Conectar as Instituições de Ensino e seus alunos com empresas permite não apenas que as IEs atualizem e sintonizem as ementas de seus cursos com as reais necessidades de mercado, como também incrementa o perfil técnico e comportamental dos alunos, acelerando sua evolução profissional, permitindo que apliquem na prática todo conhecimento e habilidades adquiridos nos cursos de formação.

Também não custa lembrar que estamos falando de um setor cuja mão de obra qualificada pode facilmente ser exportada, mesmo que continue morando no Brasil. Ainda mais com a difusão de esquemas de trabalho híbridos ou 100% remotos, talentos podem trabalhar para empresas de fora e serem pagos em moedas muito mais valorizadas do que o Real. Exatamente por isso, é fundamental desde o início introduzir a essas pessoas os atrativos do mercado brasileiro, mostrar que há oportunidades de crescimento por aqui também.

A conexão com as empresas, através de processos de exposição dos alunos à dinâmica do dia a dia corporativo tem outro ponto valioso a ser ressaltado: no mercado de hoje, tão importante quanto o conhecimento técnico (hard skills) as habilidades comportamentais ou soft skills, que compreendem a capacidade de trabalho em equipe, aptidão para cargos de liderança, atuação sob pressão, entre outras, são também essenciais; precisam ser treinadas e fazem toda a diferença na construção de um profissional mais preparado para lidar com as demandas do setor.

A Tecnologia da Informação é extremamente dinâmica. Novas tecnologias são desenvolvidas continuamente, alterando as tendências de mercado e, consequentemente, o perfil dos profissionais que aí atuam. Com isso, a montanha a ser escalada por quem ainda está começando o trajeto pode parecer como inalcançável. Portanto, valorizar o profissional, guiá-lo, em especial no início da carreira, pode ser nossa melhor ferramenta para enfrentar o déficit de mão de obra que atinge tantas empresas.

(*) É Diretor Executivo do Núcleo Softex Campinas, entidade responsável pelo programa de capacitação TrendsIT.