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Geral 28/06/2016

em Geral
segunda-feira, 27 de junho de 2016

Evento em Brasília discute o acesso a água como direito humano

A falsa sensação de que temos água em abundância no país dificulta a conscientização das pessoas e a adoção de políticas para evitar o desperdício.

O acesso a água potável como direito humano, gestão compartilhada de recursos hídricos, qualidade da água dos rios e redução da pobreza serão alguns dos temas do evento de lançamento do 8º Fórum Mundial da Água, que começou ontem (27) em Brasília

O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, informou que o evento reune cerca de 500 participantes de diversos países, que colocarão suas ideias a respeito dos temas envolvendo os recursos hídricos pelo mundo.
Segundo ele, o fórum é um espaço aberto para muitos atores, chefes de estado e governo, ministros, parlamentares, academia, setor privado e organizações não-governamentais. “O fórum é organizado a cada três anos, tendo um país hospedeiro. Ele procura motivar a classe política para os desafios e usos múltiplos da água para produzir alimentos, gerar energia, navegação, questão do saneamento e acesso a água potável por todos”. A falsa sensação de que temos água em abundância no país dificulta a conscientização das pessoas e a adoção de políticas para evitar o desperdício. “No Sudeste, precisou ocorrer uma seca daquele porte para que as pessoas repensassem o uso da água”, informou.
Conforme Braga, as mudanças climáticas ou da variabilidade do clima se manifestam diretamente no setor hídrico, trazendo secas mais longas e enchentes mais densas, que devem ficar mais frequentes. “Temos de nos tornar mais resilientes. Temos de voltar os olhos para a adaptação. Como nos adaptamos? Construindo mais infraestrutura hídrica, barragens e reservatórios para situação de seca, de modo que a população possa depender dessa água armazenada”, acrescentou.
Segundo Braga, ainda que existe um potencial de conflitos entre países pela água. “O Nilo, por exemplo, é um rio que corre por nove países africanos e já existe tensão entre Etiópia e Egito sobre a quantidade de água que será mantida a partir de um reservatório na Etiópia. Os rios Tigres e Eufrates são um problema para Turquia, Iraque e Síria”, destacou. Neste fórum, são apresentadas boas experiência de políticas de compartilhamento da água, como, por exemplo, o Rio Paraná e o Lago de Itaipu, compartilhado entre Brasil e Paraguai.
Braga disse que a chance de ocorrer uma crise hídrica na Região Sudeste, como em 2014, é pequena. Por outro lado, o Nordeste enfrenta o quinto ano seguido de seca. “O problema lá é muito sério. Para resolver isso, teremos de fazer um trabalho em duas direções: aumentar a disponibilidade da água e promover seu uso racional, que foi o que fizemos em São Paulo, com obras de transposição e incentivos econômicos para a população consumir menos”. Em alguns casos, é possível fazer o reúso e a dessalinização, mas não é o caso do Nordeste. “Precisa sim trazer água de mais longe. Tem de fazer obras e incentivar usos eficientes”, informou, lembrando que a Arábia Saudita faz a dessalinização para produzir alimento no deserto porque tem “óleo para queimar”.

Brasil já possui cerca de 60 milhões de negativados

O desemprego é um importante fator que impacta no crescimento da inadimplência.

Estudo inédito feito pela área de Big Data e os economistas da Serasa Experian revela que os estados das regiões Norte e Nordeste são os mais impactados com o crescimento do número de inadimplentes no país. Em março de 2016, o Acre registrou aumento de 17,9% no número de negativados em relação ao mesmo mês de 2015, a maior alta no período, chegando a um total de 249.156 consumidores com dívidas atrasadas. Nos demais estados da Região Norte, a queda da renda está diretamente ligada ao crescimento da inadimplência (quanto maior a queda da renda, maior o crescimento da inadimplência). Os números de rendimento são provenientes da Pnad Contínua, do IBGE.
Em segundo lugar no ranking de crescimento do número de inadimplentes está a Bahia, com elevação de 15,9% no período, atingindo a marca de 4.333.517 pessoas com dívidas atrasadas. Neste caso, o impacto foi gerado pelo aumento do desemprego, fator que também impactou no crescimento da inadimplência nos outros estados da Região Nordeste. O Ceará tem a terceira posição na lista de estados com maior crescimento da inadimplência no comparativo interanual: 15,7% no período (2.258.480 pessoas no total). O Piauí (15,0%), o Maranhão (14,4%) e Sergipe (13,9%) vêm na sequência das maiores altas. Ou seja, dos cinco primeiros estados no ranking de aumento da inadimplência, quatro são da Região Nordeste.
Atualmente o Brasil possui cerca de 60 milhões de negativados, segundo dados da Serasa referentes a março, maior marca já registrada pela Serasa Experian desde que iniciou a medição, em 2012, quando pela primeira vez a inadimplência atingiu 50,2 milhões de pessoas. Na distribuição da inadimplência pelo país, o estado de São Paulo segue concentrando a maior fatia, com 23,5%. O Rio de Janeiro está em segundo lugar, com 9,9% dos 60 milhões de consumidores inadimplentes e Minas Gerais ocupa a terceira posição, com 9,2% do total.

Londres rejeita convocar outro referendo

O governo britânico disse ontem (27) que não pretende convocar outro referendo sobre a saída do país da União Europeia (UE). A hipótese de uma nova consulta popular ganhou força nos últimos dias, quando mais de dois milhões de pessoas assinaram uma petição on-line solicitando outro referendo. O site petition.parliament.uk chegou a travar com a quantidade de pedidos.
A iniciativa partiu de um cidadão identificado como William Oliver Healy, que pede para os deputados britânicos a “implementação de uma norma pela qual, se o voto para sair ou ficar na UE for inferior a 60%, com uma participação de 75%, deveria ser convocado outro referendo”. Na consulta da última quinta-feira (23), 51,9% dos eleitores votaram para que o Reino Unido saísse da UE, contra 48,1%. A eleição contou com 72% da participação.
O Partido Conservador também disse que o novo líder da legenda será apresentado até 2 de setembro, em substituição ao posto de David Cameron, que renunciou devido à derrota nas urnas pelo “Brexit” (ANSA).

Queda da atividade persiste, mas crise na economia começa a perder fôlego

O desempenho recente de alguns indicadores de atividade econômica sugere que a crise passou a perder fôlego. Os primeiros sinais deste possível início de recuperação cíclica têm se concentrado na indústria. O ajuste proveniente do setor externo começa a gerar efeitos positivos, notadamente nos setores industriais mais voltados para o comércio exterior, como, por exemplo, têxteis, calçados e madeira. A desvalorização da moeda pode estar estimulando alguma substituição de importações, principalmente na produção de bens intermediários.
Refletindo, em parte, essa melhora no cenário, os níveis de confiança dos empresários vêm registrando altas nos últimos meses. O desempenho da produção da indústria ainda apresenta-se volátil, mesmo com resultados positivos se tornando mais frequentes. Apesar disso, após duas altas consecutivas, o indicador de produção industrial do Ipea aponta uma queda de 1,6% da produção industrial física na passagem entre abril e maio, no comparativo com ajuste sazonal, o equivalente a uma queda de 6,5% sobre o mesmo período de 2015.
Enquanto o setor industrial dá indícios de melhora, pelo lado da demanda espera-se uma recuperação mais lenta do consumo de bens e serviços, cujo desempenho está fortemente associado à dinâmica do mercado de trabalho. Além disso, a queda continuada na demanda doméstica gerou uma forte redução no grau de utilização da capacidade na indústria, o que poderá retardar a recuperação dos investimentos.
Outro fator negativo para o crescimento do consumo aparente de bens de capital é a desvalorização do real frente ao dólar, que encarece a importação de máquinas e equipamentos. Ainda assim, de acordo com estimativas próprias do Ipea, o bom desempenho dos indicadores da construção civil e do consumo aparente de máquinas e equipamentos no mês de abril indica que os investimentos tiveram um bom início de segundo trimestre, com alta de 2,8% em abril, na comparação com ajuste sazonal. Fonte e mais informações: (www.ipea.gov.br).

Turquia critica Papa por comentários sobre genocídio armênio

Papa Francisco com o patriarca Karekin II em cerimônia na Armênia.

As declarações do papa Francisco durante sua visita à Armênia, que definiu como “genocídio” o massacre dos armênios em 1915, foram classificadas pelo vice-premier da Turquia, Nurettin Canikli, como “lamentáveis”. Ele disse ainda que a fala indica a persistência da ‘mentalidade das Cruzadas’. “Não é um ponto de vista objetivo, que corresponda com a realidade”, acrescentou. “É possível observar todas as marcas e reflexões características da mentalidade das Cruzadas nas atividades do Papa”, concluiu­.
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, respondeu dizendo que o Papa ‘não faz cruzadas’. “Não há nada que evoque um espírito de cruzada. Sua vontade é construir pontes, ao invés de muros. Sua intenção real é construir as bases para a paz e a reconciliação”, disse, em coletiva de imprensa. “Francisco rezou pela reconciliação de todos, não pronunciou nenhuma palavra contra o povo turco”, acrescentou o representante católico.
No primeiro dia de sua visita oficial à Armênia, na última sexta-feira (24), Francisco não se intimidou em usar a palavra “genocídio” para se referir ao extermínio de armênios pelo Império Otomano há cerca de um século, mesmo sabendo que o vocábulo poderia desencadear um mal-estar diplomático com a Turquia, como já ocorreu no ano passado.
A Santa Sé não previa o termo “genocídio” nos discursos de Francisco, porém o líder católico não quis renunciar à palavra e a pronunciou em alto e bom som, na capital Erevan, dentro do Palácio Presidencial e diante das autoridades armênias. Além disso, o Pontífice visitou o Memorial do Genocídio, localizado em Tzitzernakaberd, no dia seguinte, onde disse que “a memória não deve ser diluída, nem esquecida”.

Butantan vai produzir vacina contra o Zika

O Instituto Butantan e o Ministério da Saúde dos Estados Unidos fecharam parceria para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika. A informação foi divulgada ontem (27) pelo órgão ligado à Secretaria de Saúde do estado de São Paulo. A instituição brasileira receberá investimento de US$ 3 milhões da Biomedical Advanced Research and Development Authority (Barda) – Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa em Biomedicina Avançada –, órgão do Ministério da Saúde dos Estados Unidos, para as pesquisas de uma vacina de Zika com vírus inativado.
Segundo o instituto, os recursos serão investidos em equipamentos e insumos para o desenvolvimento da vacina contra a doença. O acordo também prevê cooperação técnica entre os especialistas em vacinas da Barda e os pesquisadores do Butantan.
“O Butantan já vem trabalhando no desenvolvimento de uma vacina de vírus inativado. Esse tipo de vacina tem desenvolvimento científico e tecnológico mais rápidos e, por usar vírus não infectante, tem aprovação pelos órgãos reguladores, como a Anvisa, facilitada”, disse, em nota, o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.
Atualmente, a instituição está no estágio de imunização do vírus inativado em roedores. Nos últimos meses, os pesquisadores do instituto trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório (ABr).