A importância da reestruturação dentro de uma empresa familiar

Benito Pedro Vieira Santos (*)

Nos últimos anos, o mercado — não apenas nacional, tem passado por uma série de transformações profundas e, pelo que tudo indica, irreversíveis. Vivemos a era do atendimento imediato, conveniente e personalizado. Mas é claro que para que as empresas consigam entender e atender este novo consumidor (seja B2B ou B2C), precisam se manter atualizadas e em constante processo de reinvenção.

Negócios que tendem a não se movimentar e acompanhar a evolução natural do mercado certamente já se deram conta que seus dias estão contados, afinal, não existe mais espaço para o amadorismo. E a competitividade saudável, está cada dia mais eficiente e assertiva, uma vez que ferramentas e soluções tecnológicas não param de ganhar espaço e utilidade neste novo universo regado a oportunidades em tempo real.

Neste cenário descrito de forma resumida, porém abrangente e que reflete o comércio de bens e serviços atual, empresas familiares (principalmente as que estão anos, talvez décadas no mercado) precisam se reestruturar para acompanhar tamanhas transformações. Ao longo de mais de quinze anos de atuação, atendemos dezenas de empresas familiares que estavam em dificuldades financeiras ou buscando profissionalizar sua gestão.

Com isso, conseguimos desenvolver conhecimentos e técnicas que tem nos permitido ajudar estes negócios a não apenas a “colocar a casa em ordem”, mas também escalar e conquistar novos mercados e clientes. Há uma premissa básica que adotamos ao fecharmos contrato com uma empresa de com gestão familiar: somos contratos pela Empresa (CNPJ) e não pelos CPFs que estão à frente da gestão.

Desafiador? Sim, muito desafiador. Ao longo do processo de reestruturação, mencionamos várias vezes essa premissa e, mais que isso, agimos no dia a dia ajudando nas tomadas de decisões, com total imparcialidade, orientado o que é melhor para empresa, independente dos conflitos que possam gerar na implementação das ações decididas em reuniões. Afinal, para o sucesso de qualquer empresa trabalhar junto e com objetivos alinhados são fundamentos básicos.

Com o decorrer dos meses e avanço no trabalho, os gestores da companhia começam a perceber que na prática a imparcialidade necessária significa que não estamos a favor de nenhum membro da família ou de interesses pessoais, e com isso, respeitam nossas orientações. Por consequência, começam ou voltam a se respeitar — principalmente quando percebem que tudo está melhorando.

Quem ganha com tudo isso? A empresa com um todo, funcionários, fornecedores, instituições financeiras, prestares de serviços e todo o entorno que é essencial para que as engrenagens da operação voltem a funcionar. Sem contar que nestes casos, na maioria dos projetos por envolver membros de uma família, existem ainda ganhos que vão muito além do financeiro tais como: filhos voltam a ser filhos; Pais voltam a ser pais; Casais voltam a se respeitar; Primos voltam a ser primos.

Por fim, acho que extrema importância ressaltar ainda que empresas familiares têm todo o meu respeito e admiração. Não é segredo para ninguém o quanto é desafiador criar e manter um legado em forma de empresa. No geral, essas empresas ajudam durante anos, independente de crises e mudanças no mercado, na criação e manutenção do emprego de milhares de pessoas. Logo, essa proposta de reflexão se torna inda mais necessária, afinal, espero que muitas consigam se reestruturar, se reinventar, para manterem sua perenidade e atuação por muito tempo.

(*) – É CEO da Avante Assessoria Empresarial, vice-presidente do Grupo Alliance e Especialista em reestruturação de empresas (www.grupoalliance.com.br).

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